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Vacina contra a Covid-19 durante a gravidez: é segura?

Pesquisadores dizem que os benefícios superam os riscos para mulheres grávidas, lactantes e mulheres que planejam engravidar

Por Simone Blanes 26 ago 2021, 20h43

Estudos iniciais publicados na JAMA Network OpenTrusted Source revelam que as vacinas contra a Covid-19 são bem toleradas entre gestantes, lactantes e mulheres que querem engravidar. “Nossa pesquisa começou a capturar informações sobre a experiência dessas pessoas”, disse Alisa Kachikis, obstetra-ginecologista da UW Medicine, em Seattle e principal pesquisadora do levantamento feito entre janeiro e março de 2021. A pesquisa coletou dados como estagio de gravidez, percepção da vacinação e reações à vacina de 17.525 mulheres adultas nos Estados Unidos, que estavam grávidas, amamentando ou planejando engravidar no momento em que receberam o imunizante contra o SARS-CoV-2.

Para analisar os efeitos da vacina, a equipe dividiu as participantes em três grupos: 7.809 estavam grávidas, 6.815 estavam amamentando e 2.901 não estavam grávidas nem amamentando, mas planejando engravidar. Esses grupos representaram 44,6%, 38,7% e 16,5% da população do estudo, respectivamente. A maioria recebeu o imunizante da Pfizer-BioNTech ou da Moderna. Os resultados mostraram que 97% informaram reações comuns após a primeira dose como fadiga e dor no local da injeção. Também houve relatos de aumento de reações à segunda dose em comparação com a primeira, mas semelhantes em todos os grupos.

Segundo os cientistas, 6.586 participantes do grupo de grávidas haviam recebido uma segunda dose da vacina. Entre elas, 6.244 (94,8%) ainda estavam grávidas, 288 (4,3%) haviam dado à luz e 49 (0,7%) relataram perda de gravidez. Das lactantes, 155 (2,3%) relataram interrupção da amamentação após a primeira dose e 130 (2,2%) após a segunda dose. Também houve relatos de uma notável diminuição no suprimento de leite por menos de 24 horas após a administração da vacina. Isso foi observado em 339 (5%) das participantes após a primeira dose e 434 (7,2%), depois da segunda dose.

Os pesquisadores concluíram que os benefícios da vacina superam os riscos para mulheres grávidas e lactantes. Resultado compartilhado por Olajumoke Adebayo, especialista em saúde materna e líder da Confederação Internacional de Parteiras Trust Source. “Havia muita incerteza sobre o efeito das vacinas em mulheres grávidas e lactantes. Esta pesquisa é um bom ponto de partida”, afirmou. A diretora médica da empresa de controle de natalidade The Pill Club, Amy Roskin, também comentou a conclusão do levantamento. “Estou muito feliz que este estudo forneça suporte adicional às recomendações das principais organizações médicas como o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia, que apoia a vacinação para mulheres que estão planejando engravidar, grávidas ou amamentando.”

No entanto, existem limitações. Os pesquisadores reconhecem que as participantes foram escolhidas a partir de uma amostra de tamanho conveniente, em sua maioria com auto relatos  sobre suas reações e, em grande parte, composta por profissionais de saúde, devido à elegibilidade para a vacina na época em que a pesquisa estava sendo conduzida.

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