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Uso prolongado de analgésico para dor nas costas está relacionado à disfunção erétil

Pesquisa americana relaciona uso de analgésicos opioides a aumento de 50% nas chances de uso de remédios para disfunção erétil

Por Da Redação 16 Maio 2013, 12h38

Fazer uso de analgésicos opioides (usados para dores de moderada a intensa, como a morfina) por um tempo prolongado está associado com um maior risco de disfunção erétil. É o que indica uma pesquisa publicada online pelo periódico Spine. De acordo com o estudo, pacientes que usaram a medicação para dores nas costas, por mais de quatro meses, tiveram 50% mais chances de também estar tomando drogas para disfunção erétil ou fazendo reposição hormonal.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Prescription Opioids for Back Pain and Use of Medications for Erectile Dysfunction

Onde foi divulgada: periódico Spine

Quem fez: Richard A. Deyo e equipe

Instituição: Kaiser Permanente Center for Health Research, EUA

Dados de amostragem: 11.327 homens

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Resultado: O uso prolongado, por mais de quatro meses, de analgésicos opioides está relacionado com um aumento em 50% nas chances de uso concomitante de remédios para disfunção erétil ou de reposição de testosterona em homens.

Nos Estados Unidos, país onde foi feito o estudo, o uso de opioides não para de crescer. De acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), as vendas desse medicamento quadruplicaram entre 1999 e 2010. Em outro estudo recente, publicado no periódico Pain, estimou-se que 4,3 milhões de adultos americanos usem opioides regularmente. As prescrições mais comuns, nesse país, são de hidrocodona, oxicodona e morfina.

“Não há dúvidas de que, para alguns pacientes, o uso de opioides é adequado. Mas há também um aumento nas evidências de que o uso em longo prazo pode levar ao vício, overdose fatal, apneia do sono, queda na terceira idade, redução na produção hormonal e, agora, disfunção erétil”, diz Richard A. Deyo, pesquisador do Kaiser Permanente Center for Health Research e professor na Oregon Health & Science University, que estuda os tratamentos para dores nas costas há mais de 30 anos.

De acordo com o especialista, não significa, no entanto, que a relação entre os opioides e a disfunção erétil seja de causa e efeito. “Encontramos uma associação, um fato a que tanto médicos quanto pacientes devem ficar atentos ao optar pelo tratamento para dor nas costas”, diz Deyo.

Pesquisa – Foram usados dados de 11.327 homens de Oregon e Washington, de 2004. Os pesquisadores analisaram registros farmacêuticos de seis meses antes e seis meses depois do registro da dor nas costas. O uso de opioide foi descrito como “nenhum” para homens que não tomaram o remédio; “agudo”, para o uso durante três meses ou menos; “episódico”, para uso por entre três e quatro meses, mas com menos de 10 refis; e “prolongado”, para o uso por, pelo menos, quatro meses, ou por três meses com mais de 10 refis. Qualquer quantia maior do que 120 miligramas foi categorizada como alta dose.

Mais de 19% dos homens que tomavam altas doses de opiodes por, pelo menos, quatro meses também receberam medicações para disfunção erétil ou reposição de testosterona. Mais de 12% dos homens que tomavam doses baixas (menos do que 120 miligramas) por, pelo menos, quatro meses também passaram por reposição de testosterona ou tomaram drogas para disfunção erétil. Menos do que 7% dos homens que não tomavam opioides receberam medicações para disfunção erétil ou reposição hormonal.

Idade – Os pesquisadores descobriram que a idade era o fator com maior relevância na associação com as prescrições de remédios para disfunção erétil. Homens entre 60 e 69 anos eram 14 vezes mais suscetíveis a receber prescrições para disfunção erétil, do que homens de 18 a 29 anos.

Depressão, outra condição de saúde (além da dor nas costas) e uso de sedativos hipnóticos, como benzodiazepina, também aumentavam as chances de disfunção erétil. Mas, mesmo depois que os pesquisadores ajustaram os dados para levar em consideração esses fatores, o uso prolongado de opioides continuava a aumentar em 50% as chances de uso concomitante de medicamentos para disfunção erétil.

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