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Um abacate por dia pode reduzir partículas de colesterol associadas ao risco de infarto

Estudo com quase 800 adultos com obesidade encontrou melhora em marcador associado à saúde das artérias, mas não mediu redução de infarto ou AVC

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 jul 2026, 11h00 | Atualizado em 22 jul 2026, 09h30
Um abacate por dia pode reduzir partículas de colesterol associadas ao risco de infarto Priorizar nos meus resultados Google

Comer um abacate por dia pode fazer bem ao coração. Um estudo feito com quase 800 adultos com obesidade nos Estados Unidos mostrou que incluir a fruta na alimentação durante seis meses ajudou a reduzir a quantidade de partículas de colesterol consideradas prejudiciais à saúde das artérias.

A pesquisa, publicada recentemente na revista científica Journal of Clinical Lipidology, sugere um possível benefício do abacate dentro de uma alimentação equilibrada, mas não indica que a fruta, sozinha, seja capaz de prevenir doenças cardiovasculares.

O trabalho acompanhou 786 adultos, entre homens e mulheres, com obesidade abdominal e baixo consumo prévio de abacate. A média de idade dos participantes era de 51 anos, e o índice de massa corporal médio era de 32,9 kg/m², valor classificado como obesidade.

Eles foram divididos em dois grupos: um deles incorporou um abacate diariamente à alimentação habitual por 26 semanas; o outro manteve a dieta de rotina sem aumento do consumo da fruta.

O que o estudo mostrou

Ao final do período, os participantes que consumiram abacate tiveram redução na concentração de LDL-P, medida que indica o número de partículas de LDL circulantes no sangue. Essas partículas transportam colesterol pelo organismo e estão associadas à formação de placas de gordura nas artérias.

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A redução média foi de 49,1 nmol/L em comparação ao grupo controle, uma queda de aproximadamente 3,7%. Com base em estudos anteriores que demonstraram a associação entre LDL-P e eventos cardiovasculares, os pesquisadores afirmam que esse efeito corresponde a uma redução estimada de cerca de 4% no risco de doenças cardiovasculares.

Segundo a nutricionista Juliana Kato, que não participou do estudo, a redução foi estatisticamente significativa, mas de impacto clínico limitado. Isso porque os pesquisadores não acompanharam os participantes por tempo suficiente para avaliar se a mudança no marcador realmente se traduziu em menos doenças cardiovasculares, como infarto ou AVC.

Além disso, embora o LDL-P possa ajudar a estimar o risco cardiovascular, ele não substitui o LDL-colesterol (LDL-c), que continua sendo o principal parâmetro usado na prática clínica para orientar o tratamento. Enquanto o LDL-P mede a quantidade de partículas de LDL no sangue, o LDL-c avalia a quantidade de colesterol presente nessas partículas.

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Ainda assim, a especialista destaca que o resultado traz uma mensagem relevante: uma mudança simples na alimentação foi capaz de melhorar um marcador associado à saúde do coração.

“Isso reforça a importância da alimentação como um fator de risco modificável e do potencial que pequenas mudanças na dieta podem ter sobre a saúde cardiovascular”, avalia a assessora científica do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP).

Por que o abacate pode ajudar o coração?

Uma das explicações para o resultado está nos nutrientes presentes no abacate. A fruta é rica em gorduras monoinsaturadas, um tipo de gordura associado a melhores níveis de colesterol.

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Um abacate da variedade Hass usado no estudo tinha aproximadamente 168 gramas, 280 calorias, 34 gramas de gordura, 14 gramas de carboidratos e 3 gramas de proteína. A fruta também fornecia cerca de 9 gramas de fibras.

Segundo os pesquisadores, as fibras e os fitoesteróis podem contribuir para a redução do LDL ao diminuir a absorção de colesterol no intestino e favorecer a remoção dessas partículas pelo fígado.

É importante destacar que o estudo não pediu aos participantes que fizessem uma dieta específica nem que perdessem peso. A única mudança foi incluir um abacate por dia na alimentação habitual.

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No entanto, um estudo anterior com esse grupo de participantes, publicado em 2022 (The Habitual Diet and Avocado Trial – HAT), mostrou que,
mesmo sem receber orientações específicas sobre como deveriam se alimentar, os participantes que consumiram um abacate por dia aumentaram o consumo de fibras e reduziram o consumo de carboidratos.

Embora os participantes tenham aumentado a ingestão energética em cerca de 117 kcal por dia (uma porção de abacate), o peso corporal permaneceu estável durante as 26 semanas de acompanhamento. Para Kato, isso provavelmente aconteceu porque, espontaneamente, eles reduziram o consumo de carboidratos refinados e açúcares adicionados e melhoraram a qualidade global da alimentação.

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Por isso, o estudo sugere que o abacate pode contribuir para a saúde do coração, mas seus efeitos devem ser vistos dentro de um contexto mais amplo. Melhorar a alimentação como um todo provavelmente é mais importante do que apostar em um único alimento.

“O abacate não deve ser visto como um alimento ‘milagroso’, mas como uma opção saudável quando faz parte de uma alimentação equilibrada e substitui alimentos de pior qualidade nutricional”, resume a nutricionista.

Além disso, os autores destacam que o abacate não substitui medidas já conhecidas para proteger o coração, como praticar atividade física, manter um peso saudável, não fumar e fazer acompanhamento médico quando necessário.

Há grupos que devem ter cautela no consumo de abacate?

O abacate é um alimento seguro para a grande maioria das pessoas e pode fazer parte de um padrão alimentar que beneficia o coração. Alguns grupos, no entanto, devem ter atenção especial, segundo Kato. São eles:

  • Pacientes com doença renal crônica avançada, principalmente aqueles que apresentam alto nível de potássio no sangue (hiperpotassemia), pois o abacate é uma fruta rica em potássio;
  • Pessoas que precisam controlar rigorosamente a ingestão calórica, já que o abacate é um alimento com alta densidade energética, apesar de ser rico em gorduras monoinsaturadas, fibras e outros compostos benéficos.
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