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“Tem alguns doentes que estão mortos, então vai desligando as coisas”, ordem dada pela médica de Curitiba em gravação

Novas gravações divulgadas nesta quarta-feira reforçam indícios de homicídio qualificado no Hospital Evangélico de Curitiba

Por Murilo Basso, de Curitiba - 27 fev 2013, 17h54

Novas gravações da investigação que resultou na prisão de cinco funcionários do Hospital Evangélico foram liberadas nesta quarta-feira. Os áudios, dilvulgados pela rede RPC, afiliada da Rede Globo de Curitiba, apontam a médica Virginia Soares de Souza como autora de falas como: “Tem alguns doentes que estão mortos, então vai desligando as coisas, que não tem sentido!” e “Está quieto, tem que deixar quieto. A hora em que parar o respirador – foi – pelo amor de Deus”.

Segundo as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, Virgínia orientava sua equipe a “desligar aparelhos” de pacientes em coma. O inquérito aponta para a “redução da passagem de ar nos aparelhos auxiliares e uso de remédios sedativos, como o pavulon e o proposol”. Dessa forma, reduzia-se a capacidade respiratória do paciente até o consequente óbito. Durante a investigação, a polícia solicitou junto à Justiça a infiltração de um agente no Hospital Evangélico – o profissional infiltrado possuía formação superior em enfermagem e autorização judicial para gravação de áudio e vídeo, além de gravações telefônicas.

Gravações – Uma conversa telefônica entre a médica e uma mulher não identificada foi realizada no dia 27 de janeiro deste ano. Na gravação, a médica solicita o desligamento do aparelho respiratório de um paciente em estado terminal. “O Alexandre achou no (nome do paciente) vaso aberto para tudo que é lado, mas eu falei, ele vai morrer, e sabia que ele ia morrer”, diz a médica. Em seguida, a interlocutora afirma que o paciente havia demorado apenas cinco minutos para morrer, e Virginia responde: “Eu falei, ele vai morrer… Eu falei, Crícia, pelo amor de Deus, tem alguns doentes que estão mortos, então vai desligando as coisas, que não tem sentido!” e “E o próximo que vamos desligar é o …(nome do paciente)!”

Em outro diálogo, realizado no dia 24 de janeiro de 2013 entre Virgínia e um médico não indentificado, a médica havia dito: “Nós estamos com a cabeça bem tranquila para assassinar, para tudo, né?”. Um dia antes, a Polícia Civil já havia capturado uma conversa entre a médica e outro funcionário não identificado. Nas gravações, a medica diz: “Pode ser que ele diga o sobrenome, porque ele está bem espertinho. Agora o outro está morto” e “Está quieto, tem que deixar quieto. A hora em que parar o respirador – foi – pelo amor de Deus”.

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Prisão – Virginia Soares de Souza foi presa no último dia 19, suspeita de participar da morte de pacientes internados na UTI do Hospital Evangélico. De acordo com o Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa), da Polícia Civil do Estado do Paraná, a médica teve a prisão temporária decretada durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão no local.

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