Streamer Lodk perde dedo ao pular de grade no Rock in Rio; entenda a chamada ‘avulsão por anel’
Avulsão por anel é uma das lesões traumáticas mais graves que podem atingir as mãos; cirurgião explica quadro e medidas de prevenção
O streamer Adalton Rodrigues, conhecido como Lodk, teve o dedo anelar da mão direita amputado após tentar pular uma grade nos arredores do Parque Olímpico, em uma área restrita do Rock in Rio. O acidente aconteceu na madrugada de sexta-feira, 4, para sábado, 5, enquanto ele fazia uma transmissão ao vivo para cerca de 18 mil seguidores.
A chamada avulsão por anel é uma das lesões traumáticas mais graves que podem atingir as mãos. A condição é rara, mas pode provocar lesões extensas em regiões como pele, tendões, nervos e vasos sanguíneos. Em quadros mais severos, a lesão pode comprometer a circulação e levar à amputação, como no caso de Lodk.
O streamer foi levado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, passou por cirurgia e recebeu alta. Os médicos avaliaram que não seria possível reimplantar o dedo.
Segundo o criador de conteúdo, a intenção de pular a grade era encontrar possíveis falhas na segurança do festival, mas, durante a tentativa de atravessar a estrutura, o anel que ele usava ficou preso na armação. Ele caiu do outro lado e só percebeu a gravidade do ferimento depois que um amigo avisou que parte do dedo havia ficado presa.
“Quando caí do outro lado, senti que machuquei o dedo, mas não sabia que tinha arrancado. Aí falei: ‘Irmão, machuquei o dedo’. Quando ele olhou para cima, meu dedo estava pendurado na grade”, detalhou Lodk em uma publicação no Instagram.
O que é avulsão por anel?
O quadro ocorre quando um anel ou aliança se prende a um objeto fixo, como ganchos, pregos ou cercas, durante uma queda ou movimento brusco.
É justamente a combinação desses fatores que gera uma força violenta sobre a pele, os tecidos moles, vasos sanguíneos e nervos do dedo, frequentemente preservando apenas os ossos e tendões flexores. As causas mais comuns de avulsão do anelar são:
- Acidentes de trabalho;
- Quedas;
- Lesões esportivas.
Segundo Sandro Castro Adeodato de Souza, da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), a recomendação é evitar o uso de anéis durante a prática de esportes ou em trabalhos manuais. No futebol, um exemplo clássico é o acidente em que a aliança fica presa aos ganchos da trave, motivo pelo qual os jogadores são orientados a não usar alianças durante as partidas. Pular muros e grades também é um cenário comum desse tipo de lesão, segundo o médico.
“Uma forma de minimizar o risco ou a gravidade da lesão é usar anéis fendidos, mas a abordagem mais efetiva é a prevenção“, alerta Souza.
É possível preservar o dedo?
Quase todas as avulsões do anelar requerem cirurgia. O tipo de operação depende da gravidade da lesão no dedo. Uma escala chamada classificação de Urbaniak define a gravidade da lesão em três classes:
- Classe 1 (menos grave): Circulação sanguínea adequada e capacidade de mover o dedo;
- Classe 2 (moderada): Circulação sanguínea insuficiente e dificuldade em mover o dedo;
- Classe 3 (avulsão completa): Sem circulação sanguínea e o dedo foi arrancado.
Se possível, o cirurgião irá reimplantar o dedo e restaurar o fluxo sanguíneo e a função do órgão. Muitas pessoas com avulsões de grau mais avançado, porém, precisam amputar o dedo.
Uma revisão sistemática que avaliou estudos sobre avulsão por anel publicados entre 1980 e 2015 reuniu dados de 572 pacientes. Entre aqueles cuja lesão foi classificada como de classe 3, 96 precisaram de amputação, o equivalente a pouco mais de 30% dos casos.
Nos casos em que é possível reimplantar o dedo, o cirurgião pode precisar realizar um enxerto de pele ao redor do membro para reparar o descolamento causado pela avulsão.
“O dedo mais frequentemente acometido é o anelar, devido à aliança, mas uma moda atual tem piorado o prognóstico dessa lesão: usar anel no polegar expõe o dedo mais importante a esse mecanismo de lesão”, alerta Souza, da SBCM.







