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Sputnik V: 10 milhões de doses chegam ao Brasil até março

União Química e Fundo Russo de Investimento devem apresentar pedido de uso emergencial à Anvisa esta semana

Por Giulia Vidale Atualizado em 13 jan 2021, 20h25 - Publicado em 13 jan 2021, 20h11

O Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF, na sigla em inglês) e a União Química, anunciaram nesta quarta-feira, 13, um acordo para fornecer ao Brasil 10 milhões de doses da Sputnik V, vacina contra Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, na Rússia. As doses devem chegar ao país no primeiro trimestre de 2021, com entregas iniciadas ainda em janeiro.

A União Química fechou um acordo com o RDIF para transferência de tecnologia e será responsável pela produção do imunizante no país. Na terça-feira, 12, a União Química disse que sua fábrica em Brasília poderá produzir até 8 milhões de doses da vacina por mês. Ainda não está claro, contudo, se as doses que começam a ser produzidas já neste mês de janeiro, segundo a farmacêutica, serão exportadas ou usadas na campanha brasileira de imunização.

O uso no Brasil depende da autorização da Anvisa, o que ainda não foi concedido. O RDIF e a União Química anunciaram também nesta quarta-feira, 13, que vão solicitar à Anvisa a autorização de uso emergencial da Sputnik V nesta semana. No entanto, esse tipo de autorização exige que a fase 3 de testes clínicos do imunizante seja realizada no Brasil, o que não ocorre. A União Química chegou a protocolar um pedido de estudo de fase 3 junto à Anvisa, mas o estudo não foi autorizado por falta de informações necessárias. A farmacêutica diz que retornará com o pedido.

Já para a exportação, não é necessário registro no Brasil, segundo a Anvisa. Apenas o Certificado de Boas Práticas de Fabricação para produção do imunizante.

Segundo comunicado divulgado pelo RDFI, a Sputnik V foi aprovada para uso emergencial em vários países, incluindo “Argentina, Bolívia, Argélia, Sérvia e Palestina”.  “Brasileiros que trabalham na Embaixada na Rússia já estão sendo vacinados”, diz o documento.

A Sputnik V foi a primeira vacina contra Covid-19 a ser registrada no mundo, em agosto, na Rússia. Em dezembro, o país divulgou dados com o resultado final da eficácia da vacina, que ficou em cerca de 91%, “com proteção total contra casos graves de Covid-19. O RDFI afirma ainda que mais de 1,5 milhão de pessoas já foram vacinadas com a Sputnik V, sem registros de alergias fortes. No entanto, esses dados ainda não foram publicados em revista científica nem revisados por outros cientistas, não envolvidos no estudo.

O Ministério da Saúde disse recentemente que está em negociação com a União Química para fornecimento da vacina ao Programa Nacional de Imunização.

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