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Sem agulha e sem dor muscular, nova pílula que derruba colesterol em até 60% ganha aprovação inédita

Primeira versão oral de nova classe de remédios, sem as reações temidas pelos usuários de estatinas, é autorizada nos EUA

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jul 2026, 11h45 | Atualizado em 16 jul 2026, 13h42
Sem agulha e sem dor muscular, nova pílula que derruba colesterol em até 60% ganha aprovação inédita Priorizar nos meus resultados Google

É um novo marco no tratamento do colesterol alto. A FDA, agência regulatória americana, aprovou o Lipfendra, nome comercial do enlicitide (ou enlicitida), desenvolvido pela farmacêutica MSD. Trata-se do primeiro inibidor de PCSK9 que vem em forma de comprimido — até agora, essa classe de remédios só existia em versão injetável, como o Repatha (Amgen) e o Praluent (Sanofi).

PCSK9 é uma proteína produzida pelo fígado que atua como uma espécie de sabotadora dos receptores de LDL, o colesterol ruim, nas células — os “ganchos” que retiram a gordura da corrente sanguínea.

Quanto mais PCSK9 circulando, menos receptores disponíveis, e mais LDL acumulado no sangue. Bloquear essa proteína é, portanto, uma forma de destravar o processo natural de limpeza do organismo. Quando isso não ocorre a contento, placas podem se formar e obstruir as artérias. 

O enlicitide se liga ao PCSK9 e impede sua interação com os receptores de LDL, ampliando a capacidade das células de capturar o colesterol ruim circulante — o mesmo mecanismo dos anticorpos injetáveis, só que numa pílula tomada uma vez ao dia.

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Números que impressionam

Nos estudos clínicos do programa CORALreef, que reuniu mais de 19 mil participantes com hipercolesterolemia, o enlicitide reduziu o LDL em 55,8%. Em comparações diretas contra outros remédios usados hoje, o desempenho foi ainda mais expressivo: queda de 56,7% frente ao ácido bempedoico e de 36% frente à ezetimiba, e 28,1% a mais de redução comparado ao acido bempedoico + ezetimiba sempre em pacientes que já usavam estatina.

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Vale reforçar: o enlicitide poderá ser usado junto com estatinas e outros remédios que baixam colesterol que possuem mecanismo de ação diferentes.

Sem agulha, sem dor muscular

Duas vantagens práticas explicam o entusiasmo em torno do medicamento. Primeiro, é oral — dispensa as injeções subcutâneas que afastam boa parte dos pacientes elegíveis aos inibidores de PCSK9 atuais.

Segundo, não é estatina, o que importa porque um dos efeitos colaterais mais relatados pelos usuários dessa categoria clássica de remédios é a dor muscular (mialgia), motivo frequente de abandono do tratamento.

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Nos estudos do enlicitide, esse problema não apareceu como preocupação relevante. No CORALreef Lipids, o perfil de segurança foi semelhante ao placebo. Já no ensaio CORALreef HeFH, com pacientes com aumento genético do colesterol, os efeitos adversos mais comuns acima do placebo foram diarreia (7% versus 2%) e tontura (9% versus 4%)  – nada relacionado a dores musculares.

Além disso, a proporção de pacientes que abandonou o tratamento por reação adversa foi parecida entre os grupos tratados e o placebo em ambos os estudos.

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O que ainda falta mostrar 

A aprovação da FDA se baseia na capacidade do enlicitide de reduzir o LDL colesterol, não em um estudo de desfecho cardiovascular  que comprove, para esse remédio especificamente, menos infartos, AVCs ou mortes cardiovasculares.

A lógica por trás da aprovação é a de que outras classes — estatinas e os inibidores de PCSK9 injetáveis — já demonstraram esse benefício clínico direto, e a expectativa é de que o enlicitide, atuando pelo mesmo mecanismo, repita o resultado.  Um estudo de desfechos dedicado está em andamento e em breve trará esta resposta  

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Por ora, a aprovação é americana. Não há, até o momento, indicação de submissão à Anvisa — o que significa que, no Brasil, o acesso a o enlicitide ainda depende de importação ou de decisões regulatórias futuras. O entusiasmo pela nova pílula, contudo, já começou.

 

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