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Sarampo: capital paulista registra 1º caso autóctone em quatro anos

O primeiro caso de origem interna indica que o vírus já pode estar circulando pela cidade. A vítima é um professor universitário de 48 anos

Por Redação - Atualizado em 15 maio 2019, 15h17 - Publicado em 15 maio 2019, 15h15

Nesta semana, a capital paulista notificou o primeiro caso autóctone (ou seja, de origem interna) de sarampo desde 2015. O paciente – um professor universitário de 48 anos – foi hospitalizado, mas “evolui para cura”, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE). A Prefeitura de São Paulo informou que nos últimos quatro anos o município não havia registrado a circulação do vírus internamente. O registro, porém, aumenta o nível de alerta, pois é o primeiro indício de que o vírus já pode estar circulando na cidade.

Antes da confirmação do caso autóctone, já haviam sido divulgados três casos diagnosticados na cidade, mas cuja infecção ocorreu na Noruega, em Malta e em Israel. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) ainda confirmou quatro novos casos importados da doença – todos na mesma família. Os pacientes, com idades entre 12 e 42 anos, moram na mesma casa que o doente infectado em Israel.

A secretaria informou também que, embora a transmissão intrafamiliar tenha ocorrido em São Paulo, pelos critérios epidemiológicos do Ministério da Saúde, os casos foram considerados importados por estarem relacionados a uma infecção importada localizada. Tanto no caso autóctone quanto nos importados, os pacientes não eram vacinados contra o sarampo. Ainda de acordo com o documento do CVE, até o momento, nenhuma morte foi registrada. Outros 92 casos suspeitos permanecem sob investigação.

Além dos oito registros na capital paulista, 20 infecções foram confirmadas em Santos, na Baixada Santista, todas decorrentes de um surto que atingiu o navio MSC Seaview em fevereiro. Do total de vítimas no cruzeiro, 17 eram tripulantes, dois eram passageiros e um era profissional de saúde. Todos passam bem.

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Bloqueio Vacinal

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo informou que, sempre que identificados casos suspeitos, a vigilância epidemiológica desenvolve ações de vacinação no entorno do local de notificação para evitar o contágio, mesmo antes de receber os resultados dos exames conclusivos.

“Imediatamente após a notificação do caso suspeito, sempre realizamos vacinação dentro dos ambientes que a pessoa frequentou, como residência, local de trabalho, escola. Se aparecem indícios mais fortes de confirmação, partimos para a realização de bloqueio vacinal em um raio de oito quarteirões desses locais”, explicou Rosa Maria Dias Nakazaki, da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa).

De acordo com ela, 20.000 pessoas foram vacinadas nas ações de bloqueio realizadas a partir dos oito casos confirmados na cidade. A diretora informou que a secretaria não divulga em quais regiões da cidade foram registrados os casos confirmados, mas reafirmou a necessidade de a população buscar a imunização diante do possível retorno da circulação do vírus.

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, está disponível na rede pública gratuitamente e deve ser tomada em duas doses, aos 12 e aos 15 meses de idade. Adultos que não se vacinaram ou que não têm certeza se foram imunizados quando crianças podem procurar os postos também. “Como é uma doença de transmissão por vias respiratórias, altamente contagiosa, estamos permanentemente em alerta para que as pessoas se vacinem”, ressaltou Rosa.

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Sarampo

O sarampo é uma doença infectocontagiosa grave, altamente transmissível. O contágio acontece através de secreções respiratórias. O período de incubação do vírus varia de oito a doze dias e a transmissão inicia-se antes do aparecimento da doença, perdurando até o quarto dia após o aparecimento das erupções.

Os sintomas incluem indisposição inicial, com duração de três a cinco dias, febre alta, mal-estar, coriza, conjuntivite, tosse e falta de apetite. Nesse período, manchas brancas características da doença podem ser observadas na face interna das bochechas. As manchas vermelhas na pele iniciam-se atrás da orelha e se espalham para a face, pescoço, membros superiores, tronco e membros inferiores. A febre persiste com o aparecimento do exantema (manchas).

As complicações mais comuns são: otite média aguda, pneumonia bacteriana, laringite e laringotraqueite. Em casos mais raros há manifestações neurológicas, doenças cardíacas, miocardite, pericardite e panencefalite esclerosante subaguda (complicação rara que acomete o sistema nervoso central após sete anos da doença).

O tratamento é sintomático e podem ser utilizados antitérmicos, hidratação oral, terapia nutricional com incentivo ao aleitamento materno e higiene adequada dos olhos, pele e vias aéreas superiores. A vacina é a forma mais eficaz de prevenção.

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(Com Estadão Conteúdo)

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