Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Saiba qual composto sintético pode ser eficaz contra o câncer de pulmão

Cientistas testam novo medicamento a partir de NT157, molécula sintética que mostrou-se capaz de inibir a proliferação das células tumorais

Por Agência FAPESP
8 dez 2022, 13h11

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) estão testando um possível novo medicamento para o câncer de pulmão: o composto NT157. Em experimentos in vitro, a molécula sintética mostrou-se capaz de atuar em diversos alvos da doença, inibindo a proliferação das células tumorais e potencialmente evitando a resistência à radioterapia, quimioterapia e outras intervenções medicamentosas.

Publicado em artigo na Scientific Reports, o estudo foi conduzido pelo Laboratório de Biologia do Câncer e Antineoplásicos do Departamento de Farmacologia do ICB-USP, em parceria com a Harvard University, nos Estados Unidos. O grupo contou com apoio da FAPESP por meio de dois projetos.

O NT157 é um candidato a fármaco que está em fase de testes em laboratórios com foco no câncer de pulmão. Em estudos anteriores, in vitro e em modelos animais, já se mostrou promissor com cânceres de mama, próstata e colorretal, entre outros.

“É a primeira vez que o NT157 é estudado para o câncer de pulmão. Com esse estudo, obtivemos a prova de que é um medicamento eficaz, pois ele interrompe a IGF-1, uma via celular que proporciona o crescimento dos tumores, e inibe a expressão de genes da via AXL, que proporciona o desenvolvimento de resistência aos medicamentos, inibição essa que detalhamos em primeira mão”, explica à Assessoria de Imprensa do ICB-USP o professor João Agostinho Machado-Neto, coordenador da pesquisa.

Continua após a publicidade

“Pelo fato de o composto atuar em múltiplos alvos, ou seja, em mais de uma célula e mais de um receptor, é mais difícil que as células cancerosas desenvolvam resistência”, acrescenta.

Os experimentos em laboratório foram todos desenvolvidos no ICB. Os pesquisadores de Harvard auxiliaram com sugestões de novos experimentos e guiando as discussões dos resultados e o planejamento de novos estudos. Entre as principais contribuições do grupo americano está a concepção da ideia de unir o NT157 ao gefitinibe, um medicamento já utilizado contra o câncer de pulmão.

“Apontamos que o efeito do NT157 é potencializado quando é aplicado em conjunto com o gefitinibe, abrindo possibilidade para novas combinações terapêuticas”, destaca Lívia Bassani Lins de Miranda, doutoranda do laboratório, bolsista da FAPESP e coautora do trabalho.

Continua após a publicidade

Sem metástase

As descobertas foram observadas em duas células em modelos 2D e 3D, criados para simular um pulmão com maior fidelidade. “Nos dois modelos observamos que com o NT157 o tumor não ultrapassa essa estrutura, evitando assim que a doença se espalhe por outros órgãos e cause metástase. Isso poderia aumentar a qualidade de vida e a sobrevida do paciente”, explica o professor da USP.

Por se tratar de uma molécula ainda pouco experimentada, a ciência ainda não sabia com exatidão como ela funcionava no organismo. No entanto, a pesquisa do ICB ajudou a descrever o mecanismo pelo qual ela atua, a chamada simulação de Jun quinase, também conhecida como JNK. “Nas células 3D, vimos que o medicamento é capaz de ativar a Jun quinase, uma enzima que regula o processo de autodestruição das células, podendo acelerar a morte das células tumorais”, destaca Miranda.

Continua após a publicidade

Para avaliar se a NT157 é eficaz e segura em seres humanos, mais estudos são necessários. Dessa forma, os pesquisadores irão agora validar os resultados em modelos animais. Paralelamente, estão sendo estudadas formas de aplicar o medicamento diretamente no pulmão, via inalação, para evitar possíveis efeitos adversos com a circulação do medicamento por outros órgãos.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.