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Risco de morrer jovem é maior entre artistas solo do que membros de uma banda

Seguir carreira solo dobra essas chances mesmo em relação a astros da música de bandas igualmente famosas. Mortes são mais precoces nos 25 anos após o alcance da fama

O simples fato de ser um astro da música já é um risco à saúde de uma pessoa – ídolos do pop ou do rock morrem, em média, mais jovens do que a população em geral. No entanto, há ainda outro fator que contribui para encurtar a vida desses indivíduos: de acordo com uma pesquisa da Universidade John Moores de Liverpool, na Grã-Bretanha, celebridades da música que seguem carreira solo apresentam o dobro do risco de morrer precocemente do que membros de bandas igualmente famosas. E não faltam exemplos de grandes nomes de artistas solo que morreram jovens – um dos casos mais recentes é a morte da cantora Amy Winehouse, aos 27 anos, em julho de 2011.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Dying to be famous: retrospective cohort study of rock and pop star mortality and its association with adverse childhood experiences

Onde foi divulgada: revista BMJ Open

Quem fez: Mark A Bellis, Karen Hughes, Olivia Sharples, Tom Hennell e Katherine A Hardcastle

Instituição: Universidade John Moores, Grã-Bretanha

Dados de amostragem: 1.489 astros da música que fizeram sucesso entre 1956 e 2006

Resultado: Astros do rock ou pop morrem, em média, aos 45 anos (nos Estados Unidos) ou aos 39 anos (na Europa). No entanto, a chance de morte precoce é duas vezes maior entre artistas que seguiram carreira solo em comparação com membros de bandas. Infância problemática é importante fator de risco para morte prematura

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Para chegar a essa conclusão, o time de especialistas selecionou 1.489 grandes nomes da música pop e rock, tanto artistas solo quanto bandas, dos Estados Unidos e da Europa, que fizeram sucesso entre 1956 e 2006. Os nomes avaliados pelo estudo foram desde Elvis Presley e Michael Jackson até o atual grupo Arctic Monkeys. A equipe levou em consideração informações como idade e motivo da morte dos artistas que já haviam falecido, além de detalhes da vida pessoal de cada um. Os resultados desse trabalho foram publicados nesta quarta-feira no periódico BMJ Open.

Ao longo desses 50 anos, 9,2%, ou 137, desses astros da música morreram. Os americanos morreram, em média, aos 45 anos e os europeus, aos 39 anos. Segundo a pesquisa, a diferença entra a expectativa de vida desses músicos e a da população em geral aumentou de forma consistente ao longo dos 25 anos seguintes ao início da fama dos artistas. Depois disso, a expectativa de vida desses dois grupos voltou a se aproximar.

Os resultados revelaram que os artistas solo tinham o dobro de chance de morrer prematuramente do que aqueles que faziam parte de alguma banda. Esse dado valeu tanto para músicos americanos quanto para europeus. No entanto, a prevalência de morte precoce foi diferente entre as duas regiões. Na Europa, 9,8% dos a artistas solo morreram cedo, contra 5,4% entre membros de bandas. Nos Estados Unidos, essa incidência foi de 22,8% entre artistas solo e 10,2% entre músicos de bandas.

A idade não influenciou no risco de morte, mas os músicos que ficaram famosos após 1980 apresentaram maior chance de sobrevivência.

Infância desfavorável – Segundo o trabalho dos britânicos, uma infância problemática foi um fator importante que contribuiu para a morte precoce dos artistas. O estudo considerou problemática a infância dos músicos que, quando crianças, sofreram abuso físico, sexual ou emocional, ou então viviam com uma pessoa que tinha depressão crônica, que cometeu suicídio, que usava drogas ou que estava na prisão, como também passar por separação familiar e violência doméstica. Quatro em cada cinco músicos que apresentaram ao menos um desses problemas quando crianças morreram em decorrência do abuso de álcool ou drogas ou então de algum episódio de violência.

De acordo com os pesquisadores, esses resultados levantam a questão se uma banda é capaz de exercer um “efeito protetor” na vida de um músico. Além disso, eles afirmam que a pesquisa reforça que, embora a música seja uma forma comum de as pessoas escaparem de uma história de infância problemática, ela também pode facilitar o abuso de drogas e de álcool.