Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Registrada 1ª morte por surto de bactéria fora da Alemanha

Sueca que viajou a Berlim é a mais nova vítima da E. Coli. Mortos chegam a 16

Por Da Redação 31 Maio 2011, 11h14

A Europa registrou nesta terça-feira a primeira morte fora da Alemanha provocada pela variante hemorrágia da bactéria E. Coli. Um hospital na Suécia informou que uma paciente de 50 anos morreu em decorrência da bactéria em Paderborn, noroeste do país. A vítima acabara de voltar de uma viagem a Berlim, capital alemã. Agora, o total de mortes causadas pela E. Coli chega a 16 – o governo alemão anunciou nesta terça a 15ª morte provocada pela bactéria no país.

A situação pode piorar. As autoridades alemãs temem que o surto não tenha alcançado seu pico máximo, devido ao período existente entre a incubação da bactéria e a manifestação, que pode levar uma semana. A bactéria causa fortes hemorragias no sistema digestivo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o surto “muito grave” e pediu para que os países trabalhem juntos para encontrar a fonte de contaminação.”Esperamos que o número de casos caia, mas tememos uma piora”, disse Oliver Grieve, da Faculdade de Medicina do Centro Universitário de Schleswig-Holstein, onde muitas das vítimas estão sendo tratadas.

Acredita-se que a origem do surto tenha sido a Espanha, mas as autoridades espanholas recusaram-se a aceitar a culpa, dizendo que ainda não está claro exatamente quando e onde os legumes foram contaminados. Nesta terça, opela primeira vez, as autoridades alemãs manifestaram dúvida de que os pepinos espanhóis sejam responsáveis pela intoxicação alimentar.

Bactéria – De acordo com o professor Jan Galle, diretor de um hospital na cidade de Ludenscheid, no oeste da Alemanha, a variante da Eceh (como é chamada a variante hemorrágica da E. Coli), que atinge a Alemanha é um tipo bastante virulento e resistente ao tratamento com diálise. “Conhecemos a bactéria Eceh há vários anos, mas jamais tínhamos visto propagação semelhante”, afirmou o professor. “Em geral registramos cerca de mil casos por ano, mas agora temos 1,2 mil casos em 10 dias”, completou.

De acordo com um último balanço divulgado na segunda-feira, 352 pacientes ainda internados apresentam transtornos renais graves, um mal conhecido como síndrome hemolítico-urêmica, uma doença fatal.

Continua após a publicidade

Repercussão – As autoridades do continente expressaram preocupação com a propagação da bactéria. A Rússia anunciou na segunda-feira a suspensão das importações das verduras alemãs e espanholas, assim como a Bélgica. A Áustria retirou de venda os pepinos espanhóis. Por outro lado, a Holanda disse que pedirá ajuda financeira à UE para seus agricultores, que registraram queda nas exportações para a Alemanha.

Já foram registrados casos confirmados de contaminação e suspeitos na Suécia, Dinamarca, Grã-Bretanha, Holanda, França, Suíça e Áustria. Todas as vítimas teriam visitado a Alemanha nos últimos dias.

Brasil – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acompanha a contaminação na Europa pela bactéria Escherichia coli (E.coli) por meio da rede Infosan, da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o órgão, até agora não há nada que indique a necessidade de adoção de medidas especiais no país.

A probabilidade de o surto causado pela E.coli chegar ao Brasil é pequena, tendo em vista que o consumo de alimentos frescos normalmente é local. É o que diz o infectologista Expedito Luna, da Universidade de São Paulo (USP). “Por enquanto, acho que é pouco provável”.

Segundo Luna, também é reduzida a possibilidade de que alguém infectado pela bactéria na Europa traga a doença ao Brasil. “Pode acontecer de alguém doente chegar aqui, mas essa pessoa precisaria contaminar os alimentos”. Ou seja, na prática, o doente teria de manusear um alimento que seria consumido por outra pessoa.

(Com agências France Presse e Estado)

Continua após a publicidade
Publicidade