Raios de beleza: o aparelho de última geração que caiu nas graças das celebridades
Dispositivo é capaz de estimular a produção de colágeno e combater a flacidez na pele — e faz bonito até em estudos
Além dos milhões de seguidores nas redes sociais, o que a influenciadora Virginia Fonseca, a apresentadora Oprah Winfrey e a socialite Kim Kardashian têm em comum? A resposta passa pelo consultório de dermatologia: todas elas, e muitos outros famosos, testaram e aprovaram um equipamento chamado Xerf. Trata-se de uma tecnologia desenvolvida na Coreia do Sul que finalmente desembarca no Brasil com a promessa de fazer o que nenhum outro procedimento consegue: instigar intensamente a produção natural de colágeno, a proteína que dá sustentação à pele. Com isso, o dispositivo manejado por médicos consegue devolver firmeza e melhorar os contornos do rosto, um sonho que tem virado realidade nas postagens das celebridades, mas também em pesquisas apresentadas em conferências científicas.
Por aqui, ainda mais depois da propaganda feita recentemente pelo uso do aparelho por Virginia e o jogador Vini Jr., a demanda está aquecida. “Temos muitos pacientes ligando na clínica pedindo o procedimento”, diz a dermatologista Daniela Aidar, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. A médica ressalta que, antes de embarcar no Xerf, é preciso, como de praxe, passar por uma boa consulta e avaliação clínica. “Mas ele realmente tem um diferencial: pode ser feito em qualquer tipo de rosto”, afirma.
Convém, contudo, entender de onde vem o sucesso meteórico dessa máquina da beleza. Xerf é a sigla para uma tecnologia baseada em uma nova forma de radiofrequência monopolar. O conceito não é novo: vem de aparelhos que emitem ondas eletromagnéticas a uma frequência de 6,78 megahertz capazes de penetrar na pele, gerando calor, reordenando as fibras locais e induzindo a formação de colágeno. O primeiro equipamento aprovado com essa proposta, ainda em 2002, foi o Thermage — pioneiro em suavizar rugas e flacidez sem cirurgia, mas também conhecido pelo desconforto durante as sessões. De lá para cá, outros despontaram, mais eficazes e menos dolorosos, pois ganharam um sistema de resfriamento mais potente, que resguarda a pele das altas temperaturas. E a tendência é finalmente coroada com o Xerf.
Apresentado globalmente no fim de 2025, sua principal inovação é agregar outra frequência de radiação nas aplicações — ele combina, assim, as faixas de 6,78 e 2 megahertz. Parece um detalhe de física, mas não é. Essa dupla ação otimiza os estímulos à síntese de colágeno, não só “desamassando a pele” (efeito pelo qual a radiofrequência foi tão alardeada) como evitando o temido “derretimento facial”. “Com essa frequência de ondas extra, o Xerf pode ir mais fundo, atingindo até a capa de músculo e os ligamentos que dão sustentação ao rosto”, diz Aidar. A ideia é justamente agir por camadas, na superfície e nas profundezas. Daí os resultados imediatos e mantidos meses a fio. Fora isso, o Xerf emite a energia de forma modulada e uniforme, o que responde pela maior eficiência e por muito menos dor na aplicação.
Muito além da fama nas redes, a tecnologia não se apoia apenas em relatos e fotos compartilhadas nos feeds e stories. A dermatologista Isabelle Wu, cofundadora da Tech4Doctors, congresso de tecnologias médicas que não aceita patrocínio das indústrias do ramo em nome da isenção, destaca que o Xerf é um dos poucos recursos do segmento a comprovar seus efeitos com estudos histológicos, aqueles que analisam com lupa microscópica as alterações na pele. “Isso representa uma validação científica que nem sempre vemos no mercado”, afirma.
Na prática, para pessoas mais jovens, uma sessão ao ano tende a bastar, enquanto para aquelas acima de 50 anos duas aplicações seriam bem-vindas, com intervalo mínimo de trinta dias. Tanto mulheres como homens podem tirar proveito. “Os pacientes saem felizes por já ver os resultados e não precisar de um tempo de recuperação”, nota Aidar. O saldo final é apreciado três meses depois, quando há o pico de produção de colágeno. Tantos predicados, claro, têm um preço. Uma sessão de Xerf custa entre 8 000 e 14 000 reais. “É uma tecnologia premium, o que não significa que seja restrita, haja vista a mudança de comportamento dos pacientes, que buscam cada vez mais tratamentos que promovem rejuvenescimento de forma natural e com retorno imediato à rotina”, diz Egio Almeida, CEO da Contourline, companhia que trouxe a novidade ao Brasil. Sim, a beleza também cobra investimento — e não só dos influencers.
Publicado em VEJA de 14 de agosto de 2026, edição nº 3008








