APURAÇÃO DAS ELEIÇÕES 2026

⚡ Esquenta 10.10! Revista impressa com o MENOR PREÇO DO ANO! 🤑 Assine agora!

Promessa duvidosa: faz sentido recorrer à ‘pílula mágica’ de magnésio?

Nutriente passou a ser vendido hoje na forma de suplemento, com marketing exagerado, visando à melhora da qualidade do sono e à redução do estresse

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 set 2026, 19h07 | Atualizado em 28 set 2026, 14h23
Promessa duvidosa: faz sentido recorrer à ‘pílula mágica’ de magnésio? Priorize VEJA no Google

Ele está na lista dos ingredientes essenciais para o organismo, isto é, daquelas substâncias que, uma vez ingeridas por meio dos alimentos, se mostram indispensáveis para a manutenção da vida. E trabalho não lhe falta: participa de centenas de reações químicas em locais tão diversos como o coração, os vasos sanguíneos, os músculos e o cérebro. É uma labuta que ocorre nos bastidores, mas há quem queira promover esse mineral, o magnésio, ao papel de protagonista. Pois ele vem sendo apresentado, na forma de cápsulas, como o nutriente da vez para embalar o sono, reduzir o estresse e propiciar mais disposição mental, algumas das demandas mais atuais. As buscas no Google dão uma dimensão da tendência: elas saltaram 50% no Brasil no último ano, alta que varia de 90% a 2 850% quando se faz um recorte por tipo ou benefício específico. Contudo, em meio ao frisson, a pergunta que não se pode calar é: faz sentido recorrer a essa pílula mágica?

O corpo humano já conta com uma reserva natural da substância, concentrada principalmente nos ossos. E os estudos apontam que a ingestão diária deveria variar de 310 a 420 miligramas para adultos — uma quantidade alcançável para quem segue uma dieta diversificada e com predomínio de alimentos naturais (veja as principais fontes no quadro). “O magnésio participa da produção de energia, do funcionamento dos músculos, do controle da glicemia e da pressão arterial, entre inúmeras outras funções”, diz a nutricionista Lara Natacci, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição. Mas uma coisa é obter o composto pela comida. Outra é apostar as fichas em uma cápsula. “Suplementar de forma indiscriminada não significa que haverá melhoras em todos esses parâmetros”, afirma Natacci.

DIETA OU CÁPSULA? - Fontes do mineral: ele está na comida e nos suplementos
DIETA OU CÁPSULA? - Fontes do mineral: ele está na comida e nos suplementos (Fcafotodigital/Getty Images)

Independentemente disso, hoje o consumidor encontra nas prateleiras de lojas físicas ou on-line uma miríade de produtos que levam magnésio na composição. Na realidade, ele nunca anda sozinho. Sempre é ligado a outras substâncias para ficar estável e disponível. É por isso que vem associado, nos suplementos à venda, a termos como L-treonato, glicinato, dimalato, cloreto, óxido e taurato. Cada um tem suas promessas particulares e supostos benefícios gerais. “Sabemos que o L-treonato age no cérebro e o taurato protege o coração, mas há pouca comprovação sobre esses efeitos, principalmente em estudos com humanos”, detalha Natacci.

Continua após a publicidade

Mas é no sono — ou na falta dele — que o discurso sobre supostos benefícios se fortalece. A combinação dos potenciais de levar ao relaxamento muscular, regular o sistema nervoso e controlar o estresse estaria por trás da nova fama, a ponto de o magnésio ser colocado lado a lado com a melatonina, o conhecido hormônio que induz o pregar dos olhos. Calcula-se que ao menos 30% da população mundial tenha alguma dificuldade para dormir. Um problema que não perturba só as noites. Durante o dia, gera cansaço, falta de concentração, irritabilidade, baixa produtividade… É contra tudo isso que se insurgiria o suplemento.

Até há plausibilidade quanto a esses benefícios do magnésio. “Ele aumenta a liberação de neurotransmissores com função sedativa, que propiciam o início do sono”, diz a médica Luciana Palombini, pesquisadora do Instituto do Sono, em São Paulo. Mas a teoria ainda carece de validação na prática. “Existem trabalhos científicos com as versões do glicinato e do treonato, porém, nada robusto o suficiente para indicarmos na rotina”, afirma Palombini.

Continua após a publicidade

Infográfico Mineral no Prato com fontes de magnésio: vegetais folhosos verdes (couve, acelga, espinafre), cereais integrais (aveia, arroz integral, quinoa), oleaginosas (nozes, amêndoas, castanhas), leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha) e frutas (abacate, banana). Indica 310-320 mg para mulheres e 410-420 mg para homens adultos

Como todo suplemento, o magnésio não deve ser inserido no dia a dia sob aquela máxima de que “não faz bem, mas também não faz mal”, porque pode disparar efeitos colaterais. “Em algumas pessoas, causa cólica e diarreia, e, em certos grupos, pode piorar a função renal”, diz a médica do Instituto do Sono. O uso só faz sentido, portanto, diante de uma deficiência apontada por exames, algo que as pesquisas indicam ser um evento raro. “Nessas situações, ele pode ser prescrito a pessoas com diabetes, doenças intestinais ou mesmo enxaqueca, sempre com orientação médica”, pontua Natacci.

Continua após a publicidade

O maior e melhor reduto de magnésio, vale repetir, está no prato. E existem formas de incrementá-lo sem contraindicações. Basta caprichar no consumo de folhas verde-­escuras, feijão e outras leguminosas, castanhas e sementes. E não é preciso se entupir do mineral para colher suas benesses. A moda do magnésio pode passar. O que ficará é a certeza de que um cardápio equilibrado continuará sendo essencial para a mente e o corpo.

Publicado em VEJA de 25 de setembro de 2026, edição nº 3014

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

OFERTA ESPECIAL ELEIÇÕES

Digital Eleições

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês*
ECONOMIZE R$ 325 - 45% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*A assinatura inclui acesso ao site de VEJA, conteúdos exclusivos para assinantes e navegação com menos anúncios. Benefícios sujeitos às condições e à disponibilidade da assinatura.
*Pagamento único trimestral de R$ 5,97, equivalente a R$ 1,99/mês durante os 3 primeiros meses.