Dia do Cliente VEJA: 4 revistas impressas a partir de R$ 32,90/mês. Assine agora!

Precisa suplementar iodo na gravidez? Quando fazer exame de TSH? O que diz nova recomendação brasileira

Posicionamento conjunto da SBEM e da Febrasgo adapta para o cenário nacional evidências reunidas pela Associação Americana da Tireoide

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 ago 2026, 07h00 | Atualizado em 31 ago 2026, 11h57
Precisa suplementar iodo na gravidez? Quando fazer exame de TSH? O que diz nova recomendação brasileira Priorizar nos meus resultados Google

A tireoide, glândula em formato de borboleta localizada na parte anterior do pescoço, produz os hormônios T3 e T4, fundamentais para o desenvolvimento do cérebro do bebê. A deficiência desses hormônios durante a gestação está associada a um pior desempenho neurocognitivo da criança, além de aumentar o risco de complicações para a mãe, como abortamento espontâneo, pré-eclâmpsia e hipertensão gestacional.

Nos Estados Unidos, a dosagem do TSH, hormônio que estimula a tireoide a fabricar o T3 e o T4, não é recomendado de forma universal para todas as mulheres grávidas. A orientação é priorizar o exame para aquelas com maior risco de alterações na tireoide. Já no Brasil, a indicação é que todas as gestantes façam a testagem. O rastreamento seletivo pode deixar casos de fora, motivo pelo qual uma nova recomendação brasileira sobre hipotireoidismo na gestação decidiu manter a orientação do rastreamento precoce.

O posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), divulgado na última sexta-feira, 28, recomenda a todas as mulheres grávidas a realização do exame, sempre que houver condições financeiras e técnicas para isso.

“Essa é uma discussão antiga. Mas, aqui no Brasil, vamos manter a recomendação de que, havendo condições para isso, todas as gestantes façam a avaliação”, afirmou Maria Izabel Chiamolera, membro da SBEM, responsável pelo ambulatório de tireoide e gestação da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo e integrante do grupo responsável pela atualização, em comunicado à imprensa.

As novas orientações foram elaboradas a partir das evidências reunidas pela Associação Americana da Tireoide (American Thyroid Association – ATA), na diretriz publicada em junho de 2026, mas algumas delas precisaram ser adaptadas à realidade brasileira, como é o caso da indicação do exame de dosagem de TSH.

Continua após a publicidade

Um estudo realizado com gestantes no Rio de Janeiro citado na atualização brasileira mostrou que 41,2% das mulheres com hipotireoidismo subclínico não apresentavam os fatores que levariam à realização do exame em uma estratégia que considerasse apenas fatores de risco. O hipotireoidismo subclínico acontece quando o TSH está alto, mas o T4 livre permanece dentro da faixa normal.

Quando não houver condições para testar todas as gestantes, porém, a indicação é direcionar o rastreamento àquelas com maior risco, que são:

  • Mulheres com histórico de hipo ou hipertireoidismo;
  • Cirurgia ou tratamento prévio da tireoide;
  • Doenças autoimunes, como diabetes tipo 1;
  • Histórico familiar de doença tireoidiana;
  • Infertilidade;
  • Dois ou mais abortamentos;
  • Uso de medicamentos capazes de interferir no funcionamento da tireoide.
Continua após a publicidade

Idade materna, obesidade e número de gestações, que faziam parte dos critérios anteriores, deixam de ser considerados fatores de risco para indicar o exame na atualização.

Quando repetir o exame de TSH?

Nos EUA, se uma mulher grávida tiver alterações discretas no TSH no começo da gravidez, a orientação é refazer o exame depois de uma a três semanas antes da decisão de tratar. O colegiado americano se baseia em estudos que mostram que parte dessas alterações pode desaparecer espontaneamente em uma segunda coleta.

No Brasil, porém, a nova atualização afirma que não é necessário repetir o teste para começar o tratamento. O motivo, segundo os autores do texto, é que muitas pacientes brasileiras começam o pré-natal já no final do primeiro trimestre ou até no segundo.

Continua após a publicidade

Repetir o exame antes de decidir o tratamento, portanto, é visto como um desperdício da janela de tempo em que as evidências sugerem maior benefício com o início da terapia.

Indicação de tratamento hormonal

Outra mudança no posicionamento é a retirada da indicação do tratamento hormonal para gestantes que apresentam anticorpos contra a tireoide positivos, mas cuja glândula continua funcionando normalmente.

  • Como era (2022): se o nível do hormônio TSH estivesse entre 2,5 e 4,0 mUI/L e o anti-TPO, exame que identifica os anticorpos, fosse positivo, o tratamento poderia ser indicado mesmo que a paciente mantivesse níveis normais de T4;
  • Como ficou (com a nova recomendação): agora, nessa mesma situação, a orientação é não iniciar o tratamento com levotiroxina, versão sintética do hormônio tireoidiano.

A alteração, segundo a nova diretriz, se deu em função de estudos realizados nos últimos anos que mostraram que o tratamento preventivo não reduziu o risco de abortamento, parto prematuro ou outras complicações da gravidez.

Continua após a publicidade

O anti-TPO positivo, no entanto, continua sendo considerado um marcador de maior risco para o desenvolvimento de hipotireoidismo ao longo da gestação, o que requer maior vigilância na função da tireoide, mas não uso preventivo do hormônio.

No caso das mulheres que já tinham hipotireoidismo antes de engravidar, a orientação continua sendo aumentar em cerca de 30% a dose habitual do hormônio assim que ela engravida.

“O novo guideline também reforça que não devemos tratar demais. O alvo do TSH deve ser entre 0,5 e 2,5 mUI/I, com cuidado maior principalmente nas mulheres que utilizam doses acima de 100 microgramas por dia ou já apresentam TSH mais baixo”, explica a endocrinologista Suemi Marui, membro da SBEM e uma das especialistas envolvidas na elaboração do novo posicionamento, em comunicado à imprensa.

Continua após a publicidade

Hipotireoidismo subclínico

No caso do hipotireoidismo subclínico, situação em que o TSH fica elevado, mas o hormônio tireoidiano permanece normal, ficaram definidas as seguintes orientações:

  • Como era (2022): uma vez detectado o problema durante a gestação, o tratamento com a levotiroxina poderia ser considerado independentemente do tempo da gestação,
  • Como ficou (com a nova recomendação): Agora, essa possibilidade se concentra no primeiro trimestre.

Se o TSH estiver acima de 4,0 e até 10 mUI/L, e o T4 livre normal, o tratamento poderá ser considerado se a alteração for identificada até a 12ª semana de gestação.

Já no caso de o mesmo quadro aparecer apenas no segundo ou terceiro trimestre, a orientação passa a ser acompanhar a função tireoidiana, sem iniciar o tratamento com o hormônio.

Os especialistas alertam que, se o tratamento foi iniciado, deve ser mantido ao longo de toda a gestação. A mudança da nova recomendação diz respeito apenas à decisão de quando será iniciada a terapia.

Ingestão de iodo

O micronutriente essencial que a glândula tireoide usa para produzir os hormônios T3 e T4 é o iodo. A necessidade nutricional desse mineral aumenta durante a gravidez e também na amamentação. A nova atualização da Associação Americana da Tireoide incentiva, inclusive, garantir ingestão adequada por meio da suplementação já antes da concepção do bebê.

Mas, no Brasil, a atualização do posicionamento não recomenda essa prática. “O Brasil é considerado suficiente em iodo e adota há décadas a iodação obrigatória do sal. Por isso, para a maioria das gestantes, a orientação é garantir a ingestão adequada pela alimentação, e não acrescentar automaticamente um suplemento”, explica Marui.

A endocrinologista explica que a suplementação pode fazer sentido para mulheres que restringem fontes importantes de iodo na alimentação, como aquelas que seguem dietas veganas ou excluem leite e derivados. Vale lembrar que peixes, frutos do mar e ovos também estão entre as
fontes do micronutriente. Além disso, o excesso de iodo também pode mal à tireoide do  bebê.

As novas evidências sobre diagnóstico, tratamento e cuidados com a função tireoidiana durante a gravidez foram apresentadas no 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM 2026), que aconteceu de 26 a 29 de agosto, no Rio de Janeiro.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Essencial

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).