Clique e Assine VEJA por R$ 9,90/mês
Continua após publicidade

Por que o país que mais vacinou no mundo teve aumento de casos de Covid?

Em proporção à população, Seychelles é o país que mais imunizou no planeta: 70% já recebeu a primeira dose, enquanto 63% estão totalmente vacinados

Por Matheus Deccache Atualizado em 24 Maio 2021, 18h58 - Publicado em 24 Maio 2021, 16h18

As Ilhas Seychelles, na África Oriental, possuem o maior número de pessoas vacinadas contra o novo coronavírus em proporção a sua população, com seis a cada dez pessoas totalmente imunizadas com duas doses. Apesar do bom desempenho, o arquipélago com cerca de 100.000 habitantes viu os números de casos da doença aumentarem vertiginosamente no mês de maio e uma série de medidas restritivas precisaram ser impostas mais uma vez. 

Por ser um país pequeno, o seu número de infecções é bem baixo se comparado a outros países do planeta. Durante o mês de abril, cerca de 50 novos casos foram registrados diariamente e o número era considerado estável. Em meados de maio, porém, a média móvel atingiu a casa dos 400 novos casos confirmados em 24 horas. 

LEIA TAMBÉM: Passaporte de vacinação nasce cercado de dúvidas éticas

Ainda que os números estejam voltando a se estabilizar, a proporção de novos casos é considerada alta, principalmente quando compara com a de outros países que vacinaram a maioria de sua população, como Israel e Reino Unido. No dia 10 de maio, o Ministério da Saúde das Seychelles disse que cerca de um terço dos novos casos ocorreu entre aqueles que já foram totalmente vacinados.

Continua após a publicidade

Não há registro de qual vacina foi aplicada nas pessoas que contraíram a doença após estarem totalmente imunizadas. Dos que necessitaram de internação hospitalar, 80% ainda não haviam sido vacinadas e apresentaram outros problemas de saúde.  

Até esta segunda-feira, 24, 70% da população das ilhas recebeu ao menos uma dose da vacina, enquanto 63% foram totalmente vacinados desde o início da campanha de vacinação, em janeiro.  

A primeira vacina a ser aplicada foi a chinesa Sinopharm. Em seguida, as doses de Oxford-AstraZeneca produzidas na Índia, essas chamadas de Covishield, passaram também a fazer parte do programa nacional, além da russa Sputnik V, ainda mais recentemente. De acordo com o comissário de saúde do país, Jude Gedeon, 57% das doses administradas foram da Sinopharm e 43% da Covishield. 

Continua após a publicidade

A eficácia das vacinas aplicadas no país foi uma questão levantada com a nova crescente de casos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Sinopharm tem 79% de eficácia contra infecções sintomáticas e é considerada altamente eficaz na prevenção de sintomas graves e internações. Apesar desses dados clínicos serem considerados promissores, há pouca informação sobre seu uso ao redor do mundo e, no mês passado, o chefe do Controle e Prevenção de Doenças da China esboçou preocupação em relação à sua eficiência, ou seja, sua capacidade de proteção na prática. 

Há dúvidas também a respeito da atuação da vacina de Oxford-AstraZeneca contra a variante sul-africana. Um estudo realizado na África do Sul indicou uma queda acentuada na proteção de casos leves e moderados. A pesquisa não avaliou a eficácia em si, mas a OMS alertou para a evidência indireta.  

Apesar das questões envolvendo a eficácia, a hora de relaxar as medidas restritivas também pode ter sido um fator que elevou o número de casos em Seychelles. De acordo com Gedeon, a abertura de escolas, restaurantes e a retomada das atividades comerciais em março pode ter causado o aumento de casos vistos agora. Além disso, o feriado de Páscoa, no início de abril, e o relaxamento das pessoas após terem recebido as doses da vacina podem ter sido fatores preponderantes para o cenário atual.

Continua após a publicidade

O turismo é outro fator nessa equação, embora o governo tenha reforçado que ainda é cedo para fazer relações. As Ilhas Seychelles dependem da prática para sua economia e em 2019 o país chegou a receber mais de 400.000 turistas. Em 25 de março, o arquipélago anunciou que o turismo estava reaberto e passou a não exigir mais quarentena, apenas um teste negativo de Covid-19. Como resultado, mais de 14.000 pessoas visitaram as ilhas apenas no mês de abril, número muito maior do que o registrado em março.  

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 9,90/mês*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 49,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.