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Pílula da família do Mounjaro vence duelo contra um dos principais tratamentos para o diabetes

Estudo mostra que orforglipron, comprimido à base de GLP-1, supera remédio que é um dos pilares do controle glicêmico hoje

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 jul 2026, 10h00 | Atualizado em 14 jul 2026, 13h31
Pílula da família do Mounjaro vence duelo contra um dos principais tratamentos para o diabetes Priorizar nos meus resultados Google

Um novo capítulo na disputa pelo controle do diabetes tipo 2 acaba de ser escrito — e, desta vez, o protagonista é um comprimido. O orforglipron, molécula desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, enfrentou em testes clínicos a dapagliflozina, substância que está entre as terapias mais consolidadas e amplamente prescritas no mundo todo. O resultado surpreendeu até os próprios pesquisadores: o remédio não apenas igualou, mas superou o desempenho de sua concorrente veterana.

O estudo, batizado de ACHIEVE-2 e publicado na respeitada revista médica The Lancet, foi capitaneado por um centro de pesquisa americano e contemplou pacientes dos Estados Unidos, China, México, Alemanha, Polônia e Taiwan.

Para se ter ideia do feito, é preciso entender primeiro quem é a dapagliflozina. Ela pertence à classe dos inibidores de SGLT2, um dos tratamentos mais importantes e utilizados hoje contra o diabetes tipo 2. O comprimido atua estimulando os rins a eliminar o excesso de açúcar pela urina.

Já o orforglipron é um agonista do receptor de GLP-1 — hormônio intestinal que estimula a produção de insulina, reduz o apetite e desacelera a digestão —, mas com uma vantagem: é tomado de forma oral, uma vez ao dia, sem restrições de horário ou jejum.

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Canetas emagrecedoras e o futuro da luta contra obesidade

Participaram do estudo 962 pacientes com diabetes tipo 2 que já usavam metformina, mas ainda não conseguiam controlar adequadamente a glicemia. Após 40 semanas, quem tomou orforglipron teve reduções de até 1,7% na hemoglobina glicada, contra 0,8% no grupo da dapagliflozina — uma queda até o dobro maior nesse indicador. A hemoglobina glicada é um exame de sangue que dá uma média do comportamento da glicemia nos últimos meses.

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Cerca de 80% dos pacientes com orforglipron levaram a taxa para abaixo de 7%, patamar considerado seguro. A perda de peso também foi maior: 7,3% do peso corporal, contra 3% no grupo comparado.

Sabíamos que os medicamentos que imitam os hormônios intestinais costumam ser mais eficazes que os inibidores de SGLT2 no controle glicêmico e do peso, mas a magnitude do efeito nos surpreendeu.

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Nem tudo são flores, porém. Como outros remédios da classe, o orforglipron causou mais efeitos gastrointestinais — náuseas e desconforto —, levando a mais abandonos do tratamento. Vale lembrar ainda que uma diferença relativa maior em exames não significa, automaticamente, um ganho proporcional para cada paciente: a resposta varia conforme peso inicial, tempo de doença e outras condições de saúde.

Brasil aguarda aprovação

Cabe ressaltar que o orforglipron ainda não tem aprovação e registro na Anvisa e, portanto, não pode ser comercializado legalmente no país. Nos Estados Unidos, a situação é diferente: em abril de 2026, o FDA autorizou o medicamento sob o nome comercial Foundayo, mas para uma indicação distinta da testada no novo estudo: o tratamento de adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, como hipertensão ou diabetes tipo 2, sempre em conjunto com dieta e atividade física.

Essa aprovação nos EUA, somada ao sucesso das versões injetáveis de GLP-1, tem alimentado um fenômeno já conhecido por quem acompanha o mercado de canetas emagrecedoras: a circulação, em redes sociais e canais informais, de anúncios sobre a compra do medicamento por meio de países vizinhos.

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A Anvisa já vem restringindo a entrada de outros medicamentos da mesma família farmacológica vindos de fonte clandestina ou sem registro sanitário no nosso país, por não haver garantia de pureza, dosagem correta ou condições adequadas de fabricação e transporte.

Por isso, a agência tampouco recomenda qualquer versão de orforglipron antes da devida aprovação regulatória no Brasil, processo que avalia não só a presença do princípio ativo, mas também segurança, eficácia, qualidade de fabricação e equivalência terapêutica.

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Para milhões de pessoas com diabetes tipo 2, a futura chegada de uma pílula tão eficaz representa um avanço real. Mas, até que o medicamento receba sinal verde do órgão brasileiro, a orientação continua a mesma: procurar um médico para discutir as alternativas já aprovadas e disponíveis no país.

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