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Pesquisadores levam Nobel de Medicina por descobertas sobre sistema de ‘GPS’ do cérebro

Três neurocientistas, um americano que atua na Inglaterra e dois noruegueses, foram agraciados pelo prêmio nesta segunda-feira

Por Da Redação 6 out 2014, 07h02

(Atualizado às 8h30)

Os neurocientistas John O’Keefe, americano, May-Britt Moser e Edvard Moser, ambos da Noruega, foram agraciados com o prêmio Nobel de Medicina de 2014. O Instituto Karolinska, na Suécia, premiou os pesquisadores “por suas descobertas sobre células que constituem um sistema de posição no cérebro” e “que tornam possível sabermos onde estamos e encontrarmos o nosso caminho”, segundo anúncio feito nesta segunda-feira.

Em resumo, os pesquisadores descobriram mecanismos cerebrais que fazem com que as pessoas se localizem em um ambiente, saibam como chegar de um local a outro e guardem essas informações caso precisem fazer esse trajeto novamente. É o que os membros do instituto sueco chamaram de “sistema interno de GPS”.

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“As descobertas resolveram um problema que ocupava os filósofos e cientistas havia séculos”, disseram os membros do Instituto Karolinska. “Como o cérebro cria um mapa do espaço que nos rodeia e como podemos navegar no nosso caminho através de um ambiente complexo?”.

De acordo com os responsáveis pela premiação, os estudos dos três cientistas não revelaram mecanismos específicos de distúrbios cerebrais, como a doença de Alzheimer, mas devem servir como inspiração e base para pesquisas futuras sobre o tema. Ou seja, as descobertas ainda não têm impacto direto sobre a criação de novos tratamentos, por exemplo.

Premiados

JOHN O’KEEFE

O cientista nasceu em 1938 em Nova York, Estados Unidos, e tem cidadania americana e britânica. Concluiu doutorado em psicologia fisiológica pela Universidade McGill, Canadá, em 1967 e pós-doutorado na Universidade College London, na Inglaterra, ainda é professor desde 1987. Atualmente, é diretor do Centro de Circuitos Neurais e Comportamento da instituição.

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MAY-BRITT MOSER

A pesquisadora nasceu em 1963 na cidade norueguesa de Fosnavag. Estudou psicologia na Universidade de Oslo e é Ph.D. em neurofisiologia desde 1995. Também fez pós-doutorado na Universidade de Edimburgo, na Suécia, e foi cientista visitante na Universidade College London, onde conheceu John O’Keefe. Atualmente, faz parte da Universidade para Ciência e Tecnologia em Trondheim, na Noruega, onde dirige o Centro para Computação Neural.

EDVARD MOSER

O norueguês nascido em 1962 na cidade de Alesund se tornou Ph.D. em neurofisiologia pela Universidade de Oslo em 1995. Junto com sua esposa, May-Britt, fez pós-doutorado na Universidade de Edimburgo, Suécia, e se tornou cientista visitante na universidade onde atua O’Keefe. É professor da Universidade para Ciência e Tecnologia em Trondheim e diretor do Instituto para Sistemas de Neurociência.​

Premiados – Segundo o instituto, metade do prêmio de 8 milhões de coroas suecas (cerca de 2,7 milhões de reais) será dedicada a John O’Keefe, de 75 anos. Ele é diretor do Centro de Circuitos Naturais e Comportamento da Universidade College London, na Inglaterra, e tem cidadania britânica e americana.

A outra metade foi dividida entre os pesquisadores noruegueses, que são casados e atuam na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, em Trondheim. May-Britt Moser, de 51 anos, é diretora do Centro de Computação Neural da universidade e seu marido, Edvard Moser, 52 anos, dirige o Instituto para Sistemas de Neurociência.

A pesquisadora norueguesa é a 11ª mulher a receber o Nobel de Medicina em 114 edições do prêmio. Ela e Edvard Moser são o quinto casal que são premiados juntos.

Estudos – Em 1971, John O’Keefe descobriu o primeiro componente do sistema de posicionamento do cérebro. Em estudos com ratos, ele conseguiu identificar um grupo de células nervosas localizadas no hipocampo que sempre eram ativadas quando o animal estava em um determinado lugar de um quarto. O pesquisador também observou que o conjunto de outras células era ativado quando os ratos estavam em um local diferente nesse ambiente. O’Keefe, então, concluiu que essas células “de localização” ajudam a formar um mapa interno.

Décadas depois, em 2005, May-Britt e Edvard Moser descobriram um novo componente que ajuda a entender o sistema de posição do cérebro. O casal identificou outro tipo de células nervosas, chamadas de células “grid”, que tornam as coordenadas de um ambiente ou trajeto mais precisas. Isso permite que os animais saibam onde estão, para onde vão e por onde andaram.

Estudos recentes já mostraram que as descobertas de O’Keefe e dos Moser também se aplicam em seres humanos. Por isso, os achados podem ajudar a entender o motivo pelo qual o derrame cerebral pode provocar perda de noção especial e pelo qual o Alzheimer leva a problemas de memória.

Nobel – O Prêmio Nobel de Medicina é concedido desde 1901. No ano passado, ele foi dado a três cientistas que ajudaram a revelar como as células do corpo transportam e distribuem moléculas. Em 2012, o prêmio agraciou um cientista britânico e um japonês por seus estudos em torno de células-tronco.

Nesta semana, o Instituto Karolinska vai anunciar os vencedores de outras categorias do prêmio Nobel: o de Física (na terça-feira), Química (na quarta-feira), Literatura (na quinta-feira) e o da Paz (na sexta-feira). O Nobel de Economia será anunciado na semana que vem.

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