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Pesquisadores de Yale desenvolvem injeção capaz de tratar câncer de pele

O novo tratamento, ainda em fase inicial, poderia evitar a necessidade de remoção cirúrgica do tumor

Por Giulia Vidale Atualizado em 22 mar 2021, 15h26 - Publicado em 18 fev 2021, 11h49

Pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos, desenvolveram uma injeção para tratar o câncer de pele. De acordo com um estudo publicado recentemente na revista médica Proceedings of the National Academy, a injeção de nanopartículas carregadas de quimioterápico seria capaz de matar as células cancerosas, eliminando a necessidade de cirurgia.

“Os benefícios de um tratamento injetável contra o câncer de pele são inúmeros, incluindo a eliminação da necessidade de cirurgia, a redução dos riscos de infecção da lesão e a possibilidade de ser realizada em pacientes que, por possuírem outras condições médicas, não podem ser submetidos à cirurgia”, afirma a especialista em dermatologia e medicina estética Roberta Padovan, que não está envolvida na realização do trabalho.

No estudo, a equipe testou a técnica em roedores com carcinoma de células escamosas, um tipo de câncer de pele. Eles injetaram o quimioterápico camptotecina nos animais – um grupo recebendo o medicamento sozinho e o outro em nanopartículas.

Após 10 dias, os pesquisadores descobriram que 50% do fármaco administrado com nanopartículas foi retido nas células tumorais. Nos animais que receberam apenas o medicamento, não foi possível detectar a droga. Isso se refletiu diretamente na redução do tumor. No grupo das nanopartículas os tumores regrediram mais significativamente do que no outro grupo. Inclusive, em cerca de 20% dos roedores tratados, o câncer desapareceu.

A chave para o sucesso do tratamento é que as nanopartículas são bioadesivas. Isso significa que elas se ligam aos tumores e permanecem presas por tempo suficiente para matar um grande número de células cancerosas.

Em um segundo experimento, os pesquisadores combinaram o tratamento com outro agente, que estimula o sistema imunológico, para ajudar a combater as células cancerosas restantes. Os camundongos tratados com as duas frentes sobreviveram por mais tempo do que o grupo de controle.

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De acordo com os pesquisadores, a técnica poderia reduzir a necessidade de remoção cirúrgica de câncer de pele ou a realização de tratamentos de quimioterapia que atacam o corpo de forma sistêmica e causam terríveis efeitos colaterais. “Nesses estudos, aplicamos uma única injeção e é assim que gostaríamos que funcionasse clinicamente. Você vai a um dermatologista, ele vê uma lesão e injeta [o medicamento] nela. A lesão desaparece e você não precisa mais voltar”, disse Mark Saltzman, professor de Engenharia Biomédica, Engenharia Química e Ambiental em Yale e co-autor do estudo, em comunicado.

Embora promissor, o estudo ainda está em fase inicial de desenvolvimento e precisa percorrer um longo caminho antes de estar disponível nos consultórios. A equipe planeja continuar o desenvolvimento do produto e iniciar ensaios clínicos em humanos, que avaliam a segurança e eficácia do tratamento.

Prevenção do câncer de pele

O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil, correspondendo a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. As opções de tratamento atuais incluem a retirada cirúrgica da lesão e do tecido ao redor e, em casos mais graves, a realização de quimioterapia e radioterapia.

Mesmo após a eventual aprovação deste novo tratamento, a prevenção segue como a melhor maneira de combater o câncer de pele. Para isso, é preciso usar protetor solar com, no mínimo FPS 30, e amplo espectro de proteção solar, para combater a radiação UVA e UVB. “É o único produto capaz de garantir que a pele esteja realmente protegida dos efeitos nocivos dos raios solares”, afirma Roberta.

Além disso, é recomendado que se evite a exposição ao sol durante os horários com maior índice de radiação ultravioleta, isto é, entre 10h e 16h.  Vale apostar também na utilização de roupas com proteção UV, chapéus de aba larga e trama fechada, óculos de sol e sombras artificiais, como aquela oferecida pelo guarda-sol.

O autoexame de pele para identificar possíveis lesões preocupantes é outro aliado importante. A recomendação é realiza-lo uma vez por mês. Durante o autoexame, Roberta recomenda ficar atento a qualquer lesão que se enquadre na regra ABCDE. “Isto é, que seja assimétrica, possua bordas irregulares, tenha cor varável, seja maior do que 6mm ou que evolua de maneira anormal. Ao notar pintas que se enquadrem nessa descrição, consulte imediatamente um dermatologista, que poderá realizar uma avaliação e indicar o melhor tratamento para cada caso”, finaliza a especialista.

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