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Pesquisadores citados em plano de vacinação dizem não ter sido consultados

Ministério da Saúde afirmou que cientistas foram convidados a participar do plano, mas 'sem poder de decisão' em sua formalização

Por Julia Braun Atualizado em 13 dez 2020, 14h33 - Publicado em 13 dez 2020, 09h03

Um grupo de pesquisadores que assessora o governo federal na elaboração do plano nacional de vacinação contra a Covid-19 divulgou uma nota conjunta neste sábado 12 em que diz não ter sido consultado sobre o documento que foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em um comunicado divulgado neste domingo, 13, o Ministério da Saúde rebateu as acusações e disse que cientistas não têm poder de decisão.

“O grupo técnico assessor foi surpreendido no dia 12 de dezembro de 2020 pelos veículos de imprensa que anunciaram o envio do Plano Nacional de Vacinação da COVID-19 pelo Ministério da Saúde ao STF. Nos causou surpresa e estranheza que o documento no qual constam os nomes dos pesquisadores deste grupo técnico não nos foi apresentado anteriormente e não obteve nossa anuência”, diz a nota. O comunicado foi assinado por 36 cientistas.

Os pesquisadores ainda relataram que haviam solicitado uma reunião sobre o plano anteriormente. “Importante destacar que o grupo técnico havia solicitado reunião e manifestado preocupação pela retirada de grupos prioritários e pela não inclusão de todas as vacinas disponíveis que se mostrarem seguras e eficazes”, diz o texto.

Os pesquisadores afirmam que todas as populações vulneráveis devem ser incluídas na prioridade de vacinação, como quilombolas, populações ribeirinhas, privados de liberdade e pessoas com deficiência. A nota diz ainda que o escopo de imunização deve ser ampliado para trabalhadores da educação e de serviços essenciais.

Antes da divulgação da nota, a epidemiologista e professora da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), Ethel Maciel, que faz parte do grupo de pesquisadores, afirmou em seu Twitter que desconhecia o plano de vacinação. Segundo ela, uma situação como essa nunca havia acontecido em seus 25 anos de carreira.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que os pesquisadores foram convidados a participar, mas “sem poder de decisão na formalização do plano”. Segundo a pasta, os profissionais citados no documento são técnicos convidados, “envolvidos de alguma forma, técnica e cientificamente com alguns dos eixos de discussão do plano de vacinação”.

“Vale destacar que os convidados especiais foram indicados Programa Nacional de Imunizações para participarem de debates, com cunho opinativo e sem qualquer poder de decisão”, diz o Ministério.

O plano enviado pelo governo ao STF tem data de 10 de dezembro. Conforme divulgado anteriormente, o texto prevê a vacinação de grupos prioritários. O primeiro grupo é composto por trabalhadores da saúde, indígenas e idosos (a partir de 75 anos) e idosos internados (a partir de 60). O segundo reúne todos os idosos a partir de 60 anos. O terceiro é formado por pessoas que apresentam comorbidades (doenças contínuas como diabetes). O quarto grupo é constituído por professores, forças de segurança e salvamento e funcionários do sistema prisional.

Segundo o documento, as vacinas utilizadas seriam da AstraZeneca, produzida em parceria com a Fiocruz, do consórcio Covax Facility e da Pfizer, sendo que a compra desta última estaria sendo negociada.

O plano está condicionado à aprovação das vacinas pela Anvisa e não apresenta data para o início da imunização, que precisa alcançar pelo menos 70% da população. Na nota publicada pelos pesquisadores, o grupo solicita ainda que o governo abra negociações para a aquisição de outras vacinas que atendam a requisitos de eficácia, segurança e qualidade.

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