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Pesquisa testa o uso de derivados do ecstasy para combater o câncer

Colaboração entre universidades da Austrália e do Reino Unido quer aumentar efeito da droga contra as células cancerosas

Por Da Redação - 6 out 2011, 14h00

Dois pesquisadores da Universidade de Western Australia, em colaboração com o professor John Gordon, da Universidade de Birmingham, querem aumentar o efeito da metilenodioximetanfetamina (MDMA, mais conhecida como a droga ecstasy) no tratamento de certos tipos de câncer no sangue, como mieloma, leucemia e linfomas.

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ECSTASY

A metilenodeximetanfetamina (MDMA), nome ‘oficial’ do ecstasy, foi sintetizada com propósitos médicos, em 1912, pela companhia farmacêutica Merck. Como a MDMA tem uma estrutura que pode dar origem a compostos similares, mas com propriedades diferentes, o principal interesse da empresa era em outro análogo da substância. Por isso, permaneceu esquecida por muitos anos, até começar a ser usada recreacionalmente nos Estados Unidos devido a seu efeito psicotrópico. No final dos anos 80, se tornou elemento da cultura da música eletrônica. A esta altura, já havia sido considerada uma droga ilegal em dezenas de países. Pesquisas recentes têm usado a MDMA para fins terapêuticos. A droga, porém, tem diversos efeitos prejudiciais à saúde e pode, em alguns casos, levar à morte.

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Em agosto deste ano, Gordon publicou um estudo sobre as propriedades anticancerígenas de uma forma modificada de ecstasy. Agora, o objetivo dos pesquisadores é aumentar o efeito tóxico da droga sobre as células cancerosas e remover sua ação psicotrópica.

Segundo Matthew Piggot, professor da Universidade de Western Australia, a estrutura do MDMA pode ser refeita para construir compostos similares à MDMA, mas com propriedades terapêuticas diversas.

Tentativa e erro – A colaboração entre as equipes das duas universidades começou quando Piggot e Gandy estudavam o uso do ecstasy no tratamento da doença de Alzheimer. Quando ficaram sabendo do estudo de Gordon, entraram em contato com ele para mostrar seus resultados com compostos derivados da MDMA. “Ele ficou bastante interessado em usá-los em suas pesquisas”, disse Piggot.

Por enquanto, os testes estão sendo feitos em amostras de células do sangue, na base da “tentativa e erro”, segundo Piggot. “Dos seis componentes inicialmente testados, a maioria não apresentava nenhum efeito. Mas um deles mostrou ser dez vezes mais potente e serviu de fundamento para a primeira leva de compostos similares. Atualmente estamos criando compostos 100 vezes mais potentes.”

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A próxima fase da pesquisa será o teste das substâncias em animais. Em entrevista por email ao site de VEJA, John Gordon, que é coordenador da Faculdade de Medicina da Universidade de Brimingham, disse que “se tudo correr bem, levará de 5 a 10 anos para usar a droga em pacientes.”

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