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Pesquisa relaciona baixo nível de hormônio a diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares

Estudo mostrou que quanto menor a quantidade do hormônio andropina no organismo de uma pessoa, maior o número de fatores de risco para doenças associadas à síndrome metabólica, como hipertensão e colesterol alto

Por Da Redação - 22 ago 2012, 11h16

Um estudo feito no Instituto de Pesquisas Scripps, na Flórida, Estados Unidos, encontrou, pela primeira vez, uma relação entre baixos níveis de um determinado hormônio e um maior risco de doenças associadas à síndrome metabólica, como as cardiovasculares e o diabetes. De acordo com os autores, esse achado pode ajudar a encontrar novas alternativas para tratar os fatores de risco que levam a essas condições, inclusive a obesidade. A pesquisa foi publicada na edição deste mês do periódico The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Low Circulating Adropin Concentrations with Obesity and Aging Correlate with Risk Factors for Metabolic Disease and Increase after Gastric Bypass Surgery in Humans

Onde foi divulgada: periódico The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism

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Quem fez: Andrew Butler, Charmaine Tam, Kimber Stanhope, Bruce Wolfe, Mohamed Ali, Majella O’Keeffe, Marie-Pierre St-Onge, Eric Ravussin e Peter Havel

Instituição: Instituto de Pesquisas Scripps, Estados Unidos

Dados de amostragem: 120 pessoas de 18 a 70 anos

Resultado: Baixos níveis do hormônio adropina estão associados à incidência de fatores de risco para a síndrome metabólica.

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O hormônio em questão é a adropina (adropin, em inglês), descoberto recentemente. Acredita-se que a substância tenha um papel importante na regulação do metabolismo e dos níveis de glicose no sangue. Em estudos feitos anteriormente pela mesma equipe, os pesquisadores mostraram que camundongos que foram induzidos à deficiência desse hormônio desenvolveram resistência à insulina e, consequentemente, apresentaram um maior risco de diabetes tipo 2.

Os autores também observaram que animais obesos tinham níveis extremamente baixos da substância, e que a aplicação de injeções contendo adropina foi capaz de reverter a resistência à insulina.

Dessa vez, a pesquisa foi feita com seres humanos e envolveu, ao todo, 120 homens e mulheres de 18 a 70 anos de idade. Segundo os autores, os menores níveis de adropina foram observados nos participantes que apresentavam o maior número de fatores de risco para síndrome metabólica – hipertensão, açúcar elevado no sangue, excesso de gordura abdominal, baixo nível de bom colesterol e índices elevados de ácidos graxos.

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SÍNDROME METABÓLICA

É caracterizada por um grupo de fatores que predispõem às doenças cardiovasculares, ao diabetes e – quando as doenças ocorrem associadamente – à morte prematura. Para ser diagnosticado com síndrome metabólica, o paciente deve se enquadrar em três ou mais das seguintes características: hipertensão, açúcar elevado no sangue, excesso de gordura abdominal, baixo nível de bom colesterol e índices elevados de ácidos graxos.

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Diferenças de gênero – Os pesquisadores também descobriram que, entre as pessoas com peso normal, as mulheres foram as que apresentaram as menores quantidades do hormônio. Por outro lado, entre os participantes obesos, as menores quantidades de adropina foi encontrada entre o sexo masculino. Segundo os autores do estudo, esses resultados são surpreendentes, mas ainda não está claro o que provoca essas diferenças.

O trabalho também indicou que os níveis desse hormônio tendem a diminuir com a idade, especialmente após os 30 anos. “Os dados desse estudo fornece fortes evidências de que baixos níveis de adropina podem ser indicadores de risco para a resistência à insulina e, consequentemente, um risco aumentado para doenças metabólicas, incluindo diabetes tipo 2”, disse Andrew Butler, coordenador da pesquisa.

Opinião do especialista

Claudia Cozer

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Endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês e diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso)

“Esse hormônio ao qual o estudo se refere é produzido pela gordura abdominal. Na verdade, o tecido adiposo abdominal produz diversos hormônios. Parte deles é prejudicial à saúde, e, entre outros efeitos, aumenta o apetite e diminui a atividade do metabolismo. Outros, no entanto, são benéficos, responsáveis por um metabolismo mais saudável, por provocar maior saciedade, entre outras coisas.

A adropina é um desses hormônios ‘do bem’, e é mais uma substância envolvida na obesidade e na síndrome metabólica. É o mais novo hormônio desse tipo que foi descrito, mas não é o único que está associado a esses problemas. Assim como os outros já conhecidos, atua nos níveis de colesterol e de glicose no sangue.

Se, por um lado, a redução da gordura abdominal é capaz de diminuir a produção desses hormônios ruins, não sabemos o que pode aumentar ou reduzir a produção dos bons hormônios, como a adropina.

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Como as mulheres e as pessoas mais velhas têm maior tendência à obesidade e a síndrome metabólica, faz sentido o resultado que apontou menores níveis da adropina entre mulheres com peso normal.

Esses hormônios são estudados para que encontremos algum que seja especial, que atue de maneira mais intensa na síndrome metabólica e que possa vir a ser alvo de novos tratamentos contra obesidade e doenças associadas.”

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