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Peso, diabetes e coração: os três alvos que os novos estudos com a caneta de retatrutida buscaram acertar

Caneta experimental é a mais potente em termos de emagrecimento até o momento e avança na pesquisa clínica

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jul 2026, 15h00 | Atualizado em 23 jul 2026, 15h35
Peso, diabetes e coração: os três alvos que os novos estudos com a caneta de retatrutida buscaram acertar Priorizar nos meus resultados Google

A farmacêutica americana Eli Lilly divulgou nesta quinta-feira, 23, os resultados preliminares de dois novos estudos de fase final com a retatrutida, caneta semanal que ativa três vias hormonais ao mesmo tempo e, até agora, é o medicamento experimental com o maior poder de perda de peso (cerca de 30% a menos).

Os dados completos, com toda a análise detalhada, ainda serão apresentados em congressos médicos e publicados em periódicos revisados por pares, conforme a própria empresa ressalta, mas já podemos vislumbrar o alcance da medicação diante de três alvos: o controle do diabetes, o emagrecimento e a proteção do coração.

Dois estudos, três alvos

A pesquisa batizada de TRIUMPH-2 durou um ano e meio e incluiu 1 152 participantes, que receberam retratrutida nas doses de 4 mg, 9 mg, 12 mg ou placebo (caneta sem princípio ativo), todos injetados uma vez por semana.

O critério de inclusão era ter diabetes tipo 2 associado a obesidade ou sobrepeso — população que, por ter a doença metabólica de base, historicamente responde pior a tratamentos para redução de peso corporal. O objetivo primário era medir a redução percentual do peso corporal; o segundo foi avaliar a mudança nos exames de hemoglobina glicada, que indicam uma média dos níveis de glicose no sangue nos últimos meses.

Já o estudo TRIUMPH-3, também de fase 3 e com duração de um ano e meio, englobou 1 949 pessoas com obesidade e doença cardiovascular já estabelecida (como infarto ou derrame cerebral prévios, por exemplo), recebendo retatrutida nas doses de 9 mg, 12 mg ou placebo semanalmente.

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Um ponto importante: cerca de 30% dos participantes também tinham diabetes tipo 2 — o estudo não excluía quem tinha diabetes, mas também não exigia a doença como critério de entrada, permitindo avaliar o efeito da retatrutida numa população cardiovascular mista, com e sem diabetes.

Nos resultados do TRIUMPH-2, as três doses testadas levaram a perdas de 12,7% (4 mg), 19,1% (9 mg) e 20,8% (12 mg) do peso corporal em 80 semanas, ante 4% no placebo, bem como quedas significativas no exame de hemoglobina glicada.

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No TRIUMPH-3, as doses de 9 mg e 12 mg levaram a perdas de 21,6% e 22,6% do peso, respectivamente (contra 3,2% no placebo), além de reduções expressivas em taxas de triglicérides (37%), colesterol (16,5%), pressão arterial sistólica (9,3 mmHg), circunferência da cintura (19 cm) e proteína C-reativa (51,2%), marcador de inflamação ligado a risco cardiovascular.

O estudo também rastreou eventos cardiovasculares graves (morte, infarto, AVC, insuficiência cardíaca e revascularização) e os resultados apontam para segurança da retatrutida. Isso é de suma importância na prática clínica, pois muitos de nossos pacientes já tiveram algum desses eventos.

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Está em andamento outro estudo desenhado apenas para avaliar se a retatrutida é capaz de não só ser segura do ponto de vista cardiovascular, mas também se consegue reduzir o risco desses problemas – seus resultados são esperados após 2027.

Efeitos colaterais e chegada ao mercado

Os efeitos adversos mais comuns seguiram o padrão conhecido da classe — diarreia, náusea, constipação, perda de apetite e vômitos —, geralmente leves a moderados. As taxas de descontinuação por efeitos colaterais variaram de 3,8% a 13,5% conforme dose e estudo, acima do placebo (4,8% a 4,9%).

Mas, apesar do entusiasmo com os resultados, é fundamental reforçar: a retatrutida não tem registro nas mais sérias agências regulatórias, como FDA nos EUA, EMA na Europa e Anvisa no Brasil. Inclusive o órgão nacional já determinou a apreensão e proibição de produtos irregulares vendidos com o nome da substância no Brasil.

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A Lilly planeja submeter o pedido de aprovação ao FDA apenas no primeiro trimestre de 2027; a chegada ao Brasil dependeria ainda do registro junto à Anvisa, processo que historicamente leva de um a dois anos após a aprovação internacional.

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