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Pediatras insistem: gestantes não devem beber

Álcool ingerido pelas mães durante a gravidez pode provocar danos permanentes a bebês, informa livro da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Por Da Redação - 24 fev 2011, 15h54

Calcula-se que o efeito tóxico do álcool ingerido pela mãe seja oito vezes maior para o feto

A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) acaba de lançar um livro em que defende a total abstinência de álcool por gestantes. Embora a prática já seja recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e demais entidades da área, como sociedades de obstetrícia, há médicos que autorizam a ingestão esporádica de uma taça de vinho. Estudos brasileiros indicam que entre 20% e 40% das gestantes consomem bebidas alcoólicas.

“Mesmo entre os médicos, a desinformação ainda é grande”, alerta Clóvis Constantino, presidente da SPSP. “Além de alertar a população e os profissionais de saúde, queremos sensibilizar o poder público para a necessidade de incluir advertências nos rótulos de bebidas.”

O livro Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido reúne as principais evidências científicas sobre o tema. De acordo com a pediatra Conceição Segre, coordenadora da obra, o álcool ingerido pela gestante ultrapassa a barreira da placenta e se acumula no líquido amniótico. Também atinge o feto por intermédio do sangue do cordão umbilical, prejudicando a transferência de nutrientes e oxigênio.

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Cerca de uma hora depois de a gestante ingerir a bebida, o nível de álcool no sangue do feto se iguala ao medido na mãe. Mas, como o bebê tem massa corporal menor e o fígado imaturo para metabolizar a substância, calcula-se que o efeito tóxico para ele seja oito vezes maior.

As consequências dessa intoxicação permanecem a vida inteira, com intensidade variável, diz Conceição. Nos casos mais graves, que caracterizam a síndrome alcoólica fetal e atingem um a cada mil bebês, ocorrem malformações na face, diminuição no perímetro cefálico – por causa das alterações no sistema nervoso – e retardo no crescimento pré e pós-natal.

Antonio Moron, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirma que alguns médicos adotam uma postura mais liberal para parecer mais “simpáticos” às suas pacientes. “A crença de que só uma tacinha não faz mal é muito difundida, mas é um conceito totalmente errôneo”.

(Com Agência Estado)

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