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Pandemia traz sensação semelhante a segunda-feira muito ruim

Estudo usa mídias sociais para medir os sentimentos positivos e negativos perante a Covid-19, comparando-os ao dia da semana

Por Simone Blanes 20 mar 2022, 14h32

A pandemia de Covid-19 tem sido estressante para todo o mundo. Mas existe alguma maneira de medir exatamente o impacto desse estresse nas pessoas? Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, realizou uma minuciosa análise da questão, partindo de milhões de postagens em mídias sociais feitas em cerca de 100 países. Segundo os pesquisadores, os termos de linguagem usados ​​nas redes indicam a diminuição do pensamento positivo após o início da crise sanitária em 2020.

De acordo com os cientistas, as pessoas expressam as emoções mais otimistas nas mídias sociais nos finais de semana e as mais negativas, na segunda-feira. Com o início da pandemia, a diferença entre os sentimentos positivos e negativos aumentaram 4,7 vezes, ou seja, os primeiros meses da crise sanitária foram comparados a uma segunda-feira muito ruim para os usuários das redes sociais. “A conclusão é que a pandemia causou um enorme custo emocional, quatro vezes maior que a variação de sentimento observada em uma semana normal”, disse Siqi Zheng, professor do MIT e coautor do estudo publicado na revista Nature Human Behaviour.

Para conduzir o estudo, os pesquisadores examinaram 654 milhões de postagens em mídias sociais, identificadas por localização do Twitter, entre 1º de janeiro e 31 de maio de 2020, fase inicial da pandemia global. Para o levantamento, eles usaram um software de processamento de linguagem que avalia o conteúdo das mídias sociais e examina a linguagem das postagens no período pandêmico. Os resultados mostram que a crise sanitária produziu maiores mudanças de humor do que outras circunstâncias como os efeitos da poluição, clima extremo e desastres naturais. “A reação à pandemia também foi de três a quatro vezes maior que a resposta às temperaturas extremas, por exemplo”, observa Yichun Fan, doutorando no Departamento de Estudos e Planejamento Urbano do MIT (DUSP) e no Laboratório de Urbanização Sustentável (SUL).

As maiores reduções no sentimento de otimismo ocorreram na Austrália, Espanha, Reino Unido e Colômbia. Os países menos afetados pela pandemia nesses termos foram Bahrein, Botsuana, Grécia, Omã e Tunísia. O estudo também revelou um fato potencialmente surpreendente sobre as políticas de lockdown: não parecem ter muito efeito sobre o humor do público. “Você não pode esperar que tenham o mesmo efeito em todos os países, mas descobrimos que o impacto extremamente negativo esperado nas pessoas não aconteceu”, comentou Fan.

Sobre o motivo pelo qual as pessoas podem ter reagido dessa forma, Zheng observou que o impacto ocorre em duas direções : “Por um lado, as políticas restritivas podem fazer as pessoas se sentirem seguras e não tão assustadas. Por outro, um lockdown em que você não pode ter atividades sociais é outro estresse emocional”.

Como muitos fatores podem afetar simultaneamente o sentimento público durante um lockdown, os pesquisadores compararam o humor nos países que adotaram a medida extrema com os que não adotaram as mesmas políticas. Os estudiosos também avaliaram os padrões de recuperação do sentimento positivo durante o início de 2020, descobrindo que alguns países levaram até 29 dias para amenizar metade da queda no sentimento que experimentaram e 18% não recuperaram seu nível de sentimento pré-pandemia.

O artigo faz parte do projeto Global Sentiment, do Laboratório de Urbanização Sustentável de Zheng, que estuda o sentimento público expresso por meio das mídias sociais. “A abordagem tradicional é para medir o bem-estar ou a felicidade”, observa Zheng. “Mas uma pesquisa tem tamanho de amostra menor e baixa frequência. Esta é uma medida em tempo real do sentimento das pessoas”, finalizou.

 

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