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Pandemia afetou saúde mental de 79% das pessoas, em especial jovens

Pesquisa realizada pelo Ipec, a pedido da Pfizer, mostrou que tristeza, insônia, irritação, angústia e crises de choro foram os sintomas mais recorrentes

Por Giulia Vidale Atualizado em 2 set 2021, 20h47 - Publicado em 1 set 2021, 14h39

Desde o início da pandemia e das restrições impostas para controlar a disseminação do novo coronavírus especula-se sobre o impacto desse período na saúde mental da população mundial. Um ano e meio depois, esses prejuízos começam a aparecer. Um levantamento inédito realizado pelo Ipec – Inteligência em Pesquisa e Consultoria, a pedido da Pfizer Brasil, mostrou que 79% dos entrevistados afirmaram que a pandemia impactou sua saúde mental de alguma forma.

No entanto, o coronavírus e a Covid-19 não foram a principal causa de stress relatados. A situação financeira difícil ou o acúmulo de dívidas preocupou a maioria (23%) das pessoas ouvidas durante a pesquisa. Na sequência, apareceram o medo de pegar Covid‐19 (18%) e a morte de alguém próximo (12%).

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“Este é um cenário que vem sendo apontado desde março de 2020 e, por isso, merece acompanhamento diário de todos nós, já que continuamos no enfrentamento da pandemia”, disse Márjori Dulcine, diretora médica da Pfizer Brasil.

O levantamento revelou que os jovens de 18 a 24 anos foram mais afetados do que outras faixas etárias. Enquanto na média geral, a taxa de pessoas que classificaram sua saúde mental durante a pandemia como ruim ou muito ruim ficou entre 5% e 25%, nos jovens, os índices foram de 39% e 11%, respectivamente. A preocupação com o impacto da pandemia na situação financeira também foi motivo de maior aflição para pessoas dessa faixa etária, sendo citado por 26% daqueles que têm de 18 a 24 anos, 24% entre os de 25 e 44 anos, por 22% na faixa de 45 a 54, e 19% entre os respondentes com 55 anos ou mais.

Sintomas e diagnóstico

Dos entrevistados, 21% chegaram a procurar ajuda profissional e 11% estão em acompanhamento especializado. Além disso, 46% disseram que conheciam alguém que foi diagnosticado com algum problema relacionado à saúde mental durante a pandemia.

Ansiedade (16%) e depressão (8%) foram as condições diagnosticadas de forma mais recorrente no período. Em menor proporção, também apareceram síndrome do pânico (3%) e fobia social (2%). Os sintomas mais comuns relatados pelos entrevistados foram tristeza (42%), insônia (38%), irritação (38%), angústia e/ou medo (36%), além de crises de choro (21%).

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É importante ressaltar que ansiedade e depressão são duas condições relacionadas ao suicídio. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), transtornos mentais como esses estão associados a aproximadamente 96,8% dos cerca de 12.000 casos anuais de suicídio no Brasil. No levantamento, 35% das pessoas afirmaram conhecer alguém que tirou a própria vida, independentemente do diagnóstico de uma condição associação à saúde mental.

“Esses dados, infelizmente, representam a escalada assustadora dos agravos à saúde mental que vêm ocorrendo nas últimas décadas em nosso país, e que foi alavancada pela pandemia da Covid-19. Nesse sentido, esses índices colocam as estratégias para ampliação dos cuidados em saúde mental como prioridade inegável.”, alertou o psiquiatra Michel Haddad, do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE/IAMSPE) e pesquisador do departamento de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Tratamento

Entre aqueles que foram diagnosticados ou fizeram algum tratamento para a saúde mental desde o início da pandemia, 31% fazem isso de forma presencial e 17% por consultas online. Além disso, 29% estão tomando medicamentos. Como forma de atenuar o impacto psicológico, 56% buscam fazer algum tipo de atividade. As mais comuns são a prática regular de exercícios físicos e a leitura.

Maioria tem clareza do que é verdadeiro e falso sobre saúde mental

Em tempos de fake news, um dos pontos abordados na pesquisa foi o conhecimento dos brasileiros sobre o que é verdadeiro e falso sobre a saúde mental. Felizmente, os resultados mostraram que a maioria tem clareza sobre a gravidade e importância do tema: 97% afirmaram que problema de saúde mental não é frescura; 79% acreditam que as doenças relacionadas à saúde mental são silenciosas e de difícil identificação sem ajuda médica; 86% reconhecem não ser um problema possível de resolver sozinho; 84% entendem que as doenças relacionadas à saúde mental não atingem necessariamente mais idosos do que adultos e jovens; e 90% discordam da crença de que suicídio só acontece com pessoas de personalidade fraca.

Além disso, 73% reconhecem as campanhas informativas e de conscientização como uma das formas de reduzir o preconceito em relação aos transtornos mentais, bem como a criação de programas escolares que discutam o assunto desde cedo com as crianças.

Para ampliar ainda mais a conscientização sobre a existência de doenças de saúde mental e incentivar as pessoas a procurarem ajuda, a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata) e a Pfizer lançaram a campanha “Na Direção da Vida“, que promove ações em setembro, conhecido como o mês de prevenção ao suicídio.

O levantamento, realizado em agosto deste ano, entrevistou de forma online 2.000 homens e mulheres, maiores de 18 anos de idade, na cidade de São Paulo e nas regiões metropolitanas de Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador.

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