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Painel nos EUA recomenda mudança na ingestão diária de aspirina

Novas evidências mostram que remédio em baixas doses em pessoas idosas não tem nenhum benefício concreto e aumenta o risco de sangramentos

Por Da Redação 12 out 2021, 18h52

Uma aspirina por dia para prevenir ataques cardíacos. O conselho médico, muitas vezes seguido sem supervisão alguma, passará por revisão nos Estados Unidos. Uma Força-Tarefa de Serviços Preventivos recomendou a atualização de um painel de 2016. Com base em novas evidências, descobriu-se que a aspirina em baixas doses diárias em pessoas com 60 anos ou mais não tem nenhum benefício concreto devido ao aumento do risco de sangramentos, como sangramento gastrointestinal ou hemorragia intracraniana.

A força-tarefa, um painel de 16 especialistas independentes em prevenção de doenças indicados pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, também disse que as evidências eram insuficientes para dizer que o uso de aspirina em baixas doses reduz a ocorrência ou morte devido ao câncer colorretal. Em 2019, pesquisadores estimaram que 29 milhões de pessoas que não tinham doenças cardiovasculares estavam tomando aspirinas diariamente para prevenção e milhões estavam fazendo o mesmo sem recomendação médica.

Idosos com mais de 60 anos sem doenças cardíacas não devem tomar aspirina em baixas doses diariamente para prevenir um primeiro ataque cardíaco ou derrame. Os riscos de sangramento para adultos idosos que não tiveram um ataque cardíaco ou derrame superam quaisquer potenciais benefícios da aspirina. Pela primeira vez, o painel disse que pode haver um pequeno benefício para adultos em torno dos 40 anos que não apresentam riscos de sangramento. Para quem está na faixa dos 50 anos, o painel disse que a evidência do benefício é menos clara.

As recomendações são destinadas a pessoas com pressão alta, colesterol alto, obesidade ou outras condições que aumentam suas chances de ataque cardíaco ou derrame. Independentemente da idade, os adultos devem conversar com seus médicos sobre como interromper ou iniciar a aspirina para ter certeza de que é a escolha certa para eles, disse à agência Associated Press um membro da força-tarefa Dr. John Wong, especialista em cuidados primários do Tufts Medical Center. “O uso de aspirina pode causar danos graves e o risco aumenta com a idade”, disse ele.

Se finalizado, o conselho para adultos mais velhos voltaria atrás nas recomendações do painel emitido em 2016 para ajudar a prevenir um primeiro ataque cardíaco e derrame, mas estaria de acordo com as diretrizes mais recentes de outros grupos médicos. A força-tarefa disse anteriormente que certas pessoas na faixa dos 50 e 60 anos podem considerar uma aspirina diária para prevenir um primeiro ataque cardíaco e derrame, e que também podem obter proteção contra o câncer colorretal. A orientação atualizada diz que mais evidências de qualquer benefício para o câncer colorretal são necessárias.

Os médicos há muito recomendam aspirina em baixas doses diárias para muitos pacientes que já tiveram um ataque cardíaco ou derrame. A orientação da força-tarefa não muda esse conselho. A orientação foi postada online para permitir comentários públicos até 8 de novembro. O grupo avaliará as sugestões e, em seguida, tomará uma decisão final. O painel independente de especialistas em prevenção de doenças analisa pesquisas médicas e literatura e emite conselhos periódicos sobre medidas para ajudar a manter os americanos saudáveis. Estudos mais recentes e uma reanálise de pesquisas mais antigas levaram ao conselho atualizado, disse Wong.

A aspirina é mais conhecida como um analgésico, mas também é um anticoagulante que pode reduzir as chances de coágulos sanguíneos. Mas a aspirina também apresenta riscos, mesmo em doses baixas – principalmente sangramento no trato digestivo ou úlceras, que podem ser fatais.

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