Pacientes com HIV terão tratamento antecipado no Brasil

Ministério da Saúde pretende oferecer antirretrovirais a todos os adultos infectados, independentemente do estágio da doença. Com a mudança, prevista para ocorrer até o final deste ano, 100.000 novos pacientes deverão passar a tomar os medicamentos

Por Da Redação - 15 out 2013, 09h45

Pacientes adultos infectados pelo HIV terão o tratamento antecipado no Brasil. O Ministério da Saúde deve passar a oferecer a terapia com antirretrovirais assim que a infecção for identificada, qualquer que seja o estágio da doença. Hoje, essa estratégia é adotada somente pelos Estados Unidos e pela França. Com a mudança, prevista para acontecer até o final deste ano, a expectativa é a de que pelo menos 100.000 novos pacientes passem a fazer uso do remédio – atualmente, são 313.000.

Os antirretrovirais são o pilar do tratamento oferecido ao paciente com HIV. A terapia consiste na combinação de ao menos três medicamentos e, embora reduza drasticamente a presença do vírus no sangue, não consegue agir nos vírus que estão inativos no organismo e, portanto, não oferece a cura. Atualmente, no Brasil, o paciente infectado apenas recebe o tratamento quando a contagem de vírus e de células de defesa na corrente sanguínea chega a determinado ponto.

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O tratamento precoce tem dois objetivos. O primeiro deles é ampliar a proteção do paciente com HIV. Pesquisadores concluíram que a estratégia melhora de forma significativa a qualidade de vida do soropositivo, além do efeito protetor. A medida também tem um caráter de saúde pública: ao tomar o antirretroviral, os níveis de vírus no organismo são reduzidos de forma significativa, dificultando a contaminação do parceiro, no caso de relação sexual sem camisinha. “Ela (a camisinha) não impede, mas reduz a transmissão”, diz o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Opções – Também está prevista para o final deste ano a incorporação no protocolo de uma nova droga produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O três em um combina os antirretrovirais tenofovir, lamivudina e efavirenz em apenas um comprimido. O remédio aguarda certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Assim que for liberado, o produto deverá ser indicado para pacientes no início de tratamento.

Padilha disse não haver, no momento, a estimativa de qual será o impacto no orçamento para ampliação da indicação do remédio. Atualmente, do 1,2 bilhão de reais reservado no orçamento para aids, 770 milhões são destinados para medicamentos. O ministério afirmou que, para o cálculo exato, é preciso saber qual será o preço da droga combinada, produzida pela Fiocruz.

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(Com Estadão Conteúdo)

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