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Os quatro atropelos da primeira manipulação genética em humanos

Em novembro de 2018, o biólogo chinês He Jiankui revelou ter criado gêmeas com genes editados para que fossem resistentes ao vírus da aids

Por Da Redação - Atualizado em 30 jul 2020, 19h32 - Publicado em 3 jan 2020, 06h00

Ilegalidade – Em novembro de 2018, o biólogo chinês He Jiankui revelou ter criado gêmeas com genes editados para que fossem resistentes ao vírus da aids contraído pelo pai. Na virada do ano, em 30 de dezembro, Jiankui foi condenado a três anos de prisão por um tribunal da cidade de Shenzhen, onde ficava o seu laboratório, por “ter realizado ilegalmente a manipulação genética de embriões com fins reprodutivos”.

Extremismo – O cientista teria bloqueado os genes CCR5, usados pelo HIV, o vírus da aids, como porta de entrada para se infiltrar nas células humanas. Desativar o CCR5 não confere imunidade completa ao HIV, já que algumas cepas podem entrar nas células através de outra proteína. Não havia justificativa, portanto, para usar um método tão radical, de acordo com a comunidade científica.

Sonegação – Não está claro se os participantes tinham conhecimento dos detalhes. Jiankui descreveu seu trabalho simplesmente como um genérico projeto “de desenvolvimento de vacinas”. Em reportagem da revista chinesa Sanlian Life Week, um voluntário que abandonara no meio o estudo de Jiankui declarou ter ouvido o termo “edição de genes” só quando as notícias sobre a pesquisa foram divulgadas na imprensa.

Violação – Em 2015, a Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos convocou uma cúpula internacional de cientistas e especialistas em ética para discutir a manipulação genética. O relatório, publicado em 2017, não pedia uma proibição total da edição de genes, mas exigia “extrema cautela” e “supervisão rigorosa”. Jiankui atropelou as duas recomendações.

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Publicado em VEJA de 8 de janeiro de 2020, edição nº 2668

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