Opas anuncia parceria para ampliar acesso à injeção bianual que previne o HIV
Objetivo de parceria com biofarmacêutica Gilead é disponibilizar medicamento a 14 países da América Latina e do Caribe
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) anunciou nesta terça-feira, 15, uma parceria para ampliar o acesso à injeção bianual lenacapavir, medicamento que previne a infecção pelo vírus HIV, a 14 países da América Latina e do Caribe. A oferta será realizada com o uso dos Fundos Rotativos Regionais da entidade a partir de um um acordo com a biofarmacêutica Gilead Sciences.
Aprovado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro deste ano, o lenacapavir é um medicamento injetável para profilaxia pré-exposição (PrEP) que tem como diferencial o fato de ser aplicado apenas duas vezes por ano. Desse modo, além de ter longa duração, auxilia na adesão e evita eventuais esquecimentos dos pacientes.
“Hoje, as Américas contam com ferramentas cada vez mais eficazes para a prevenção do HIV, mas essas inovações só terão impacto se chegarem às pessoas que precisam delas”, disse, em comunicado, o diretor da Opas, Jarbas Barbosa. “Esta iniciativa é um passo importante para reduzir as lacunas no acesso ao lenacapavir, ampliar as opções de prevenção disponíveis aos países e avançar nos esforços para acabar com o HIV como um problema de saúde pública.”
Segundo a entidade, cerca de 140.000 novas infecções pelo vírus causador da aids ocorrem por ano na América Latina e no Caribe.
“Nos termos do novo acordo, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela poderão adquirir lenacapavir por meio dos Fundos Rotativos Regionais da Opas, sujeitos aos processos regulatórios e programáticos nacionais aplicáveis”, disse a Opas.
Transferência de tecnologia
No acordo, a Gilead firmou o compromisso de avançar no processo de transferência de tecnologia no Brasil para facilitar a produção local do medicamento no futuro.
“Parcerias estratégicas são essenciais para nossa ambição de ajudar a acabar com a epidemia de HIV. Este acordo demonstra como a colaboração entre governos, organizações de saúde pública e a indústria pode expandir o acesso, acelerar a implementação e criar as condições para uma escala sustentável”, afirmou Johanna Mercier, diretora comercial e de assuntos corporativos da Gilead Sciences.
A Opas informou que a introdução do lenacapavir nos programas nacionais de HIV vai ocorrer de forma progressiva e “dependerá dos processos regulatórios nacionais, dos protocolos clínicos, da capacitação dos profissionais de saúde e do planejamento programático”.
O que é o lenacapavir
O lenacapavir é um antirretroviral que demonstrou a capacidade de prevenir a infecção pelo HIV em 100% em um estudo conduzido com 5 338 mulheres de Uganda e da África do Sul.
Em março de 2025, um estudo clínico de fase 1 comprovou que, utilizado como PrEP, o medicamento foi capaz de proteger contra o vírus com apenas uma aplicação anual. Mesmo sendo uma análise inicial, comprovou benefícios e apontou a droga como uma ferramenta para reduzir as infecções em populações mais vulneráveis.
Ele é considerado um medicamento inovador por inibir estágios cruciais do funcionamento do vírus, impedindo, assim, sua replicação. Ele pode ser administrado por comprimido ou por injeção subcutânea aplicada a cada seis meses.
Importância do lenacapavir
O Brasil já oferta mais de uma opção de PrEP, como versões em comprimidos e sob demanda (para pessoas que têm menos de duas relações sexuais por semana e conseguem planejar o ato), mas o lenacapavir pode intensificar as ações de proteção contra o HIV.
A PrEP não deve ser alvo de críticas nem preconceito por ser uma forma de evitar novas infecções e conter a disseminação do vírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) integrou o lenacapavir entre as opções para a PrEP e classificou o medicamento “como a melhor alternativa após uma vacina”.
O medicamento se une ao arsenal para prevenir o vírus: PrEP oral diária ou sob demanda, cabotegravir de longa duração, uso de preservativos, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento antirretroviral.







