Assine VEJA: informação confiável e exclusiva nas eleições + 4 revistas impressas a partir de R$ 35,90/mês.

‘O jogo mais importante da minha vida começou em silêncio’, diz narrador Jorge Iggor após superar o câncer

Uma das principais vozes da Copa do Mundo conta a experiência de descobrir, tratar e vencer um tumor de tireoide

Por Jorge Iggor* 17 jul 2026, 17h00
‘O jogo mais importante da minha vida começou em silêncio’, diz narrador Jorge Iggor após superar o câncer Priorizar nos meus resultados Google

Para quem vive de contar histórias, a voz é muito mais do que uma ferramenta de trabalho: é a própria identidade. É por meio dela que realizo diariamente o sonho daquele menino apaixonado por futebol, narrando jogos e gritando gols. Nunca imaginei que o maior medo da minha vida seria justamente o de silenciá-la.

Em 2021, descobri um câncer na tireoide que já havia atingido os gânglios da região cervical. O mais impressionante é que eu não sentia absolutamente nada: nenhuma dor, rouquidão ou dificuldade para engolir. A doença evoluiu em total silêncio e foi descoberta por acaso, durante exames de rotina. Se aquele check-up não tivesse acontecido, talvez eu demorasse tempo demais para notar que algo estava errado.

A palavra “metástase”, que se refere à disseminação de um tumor, assusta qualquer pessoa. Ela chega carregada de peso e faz a imaginação correr mais rápido do que qualquer explicação médica. No meu caso, o prognóstico era positivo, mas o que realmente me apavorava era a parte técnica: a cirurgia aconteceria colada aos nervos responsáveis pelas cordas vocais.

O risco real era perder o instrumento que construiu minha carreira, sustenta minha família e me permite seguir vivendo um sonho.

Para entender a gravidade do cenário, a médica que me acompanhou no tratamento, Lígia Tedde de Moraes, me explicou: “As cordas vocais se movimentam graças ao nervo laríngeo recorrente, que funciona como um fio de condução elétrica muito sensível. Como se trata de uma estrutura extremamente delicada, a simples manipulação na cirurgia de tireoide pode causar rouquidão temporária ou permanente.”

Continua após a publicidade

Foram horas de cirurgia e uma ansiedade difícil de colocar em palavras. “Para quem usa a voz profissionalmente, o impacto é gigante, pois o tratamento gera fraqueza na emissão do som e perda de potência. Para narrar um jogo de futebol com a emoção necessária, isso torna o trabalho praticamente impossível”, expõe a doutora.

“Felizmente, no caso do Jorge, o nervo se recuperou e, com fonoterapia precoce, ele venceu esse desafio.”

Sim, no início minha voz ficou bastante fraca. O alívio de sair do hospital não significou um retorno imediato. Vieram semanas de repouso absoluto, sessões intensas de fonoterapia e uma reconexão gradual com a minha própria identidade, até recuperar a força e os agudos necessários para soltar a voz em uma transmissão.

Continua após a publicidade

Cada pequeno tom recuperado era uma vitória; cada teste bem-sucedido me dava a certeza de que o microfone ainda seria o meu lugar.

Como narrador, encontrei uma forma de explicar essa experiência usando o futebol. Descobrir a doença cedo foi como levar um gol com 30 segundos de jogo. O susto foi enorme, mas ainda havia a partida inteira para buscar a virada.

Se esse gol tivesse acontecido aos 40 minutos do segundo tempo, a história seria outra. O diagnóstico precoce me deu tempo e, na medicina, tempo é o recurso mais valioso que existe.

Continua após a publicidade

Mesmo após a cura, quem passa pelo câncer aprende que a alta médica não apaga a vigilância. Os exames de acompanhamento trazem uma ansiedade inevitável a cada novo resultado, mas aprendi a conviver com essa rotina sem permitir que o medo ocupe mais espaço do que o presente.

Hoje, cada transmissão tem um significado diferente. Estar no estúdio é celebrar a vida e a oportunidade de continuar soltando a voz que, por alguns dias, achei que perderia para sempre.

Se existe uma mensagem que essa reviravolta me deixou, ela é: não espere o seu corpo gritar para procurar ajuda. Às vezes, ele apenas sussurra. Em outras, permanece calado. O jogo mais importante da minha vida começou em silêncio.

Continua após a publicidade

Fazer exames de rotina e manter o acompanhamento médico preventivo não é exagero, é autocuidado. Foi exatamente esse cuidado que salvou a minha ferramenta de trabalho e me permitiu continuar contando histórias, inclusive a minha.

* Jorge Iggor é jornalista e narrador esportivo da GE TV

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Essencial

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).