APURAÇÃO DAS ELEIÇÕES 2026

⚡ Esquenta 10.10! Revista impressa com o MENOR PREÇO DO ANO! 🤑 Assine agora!

O hormônio que faltava: doença silenciosa que rouba cálcio do corpo ganha tratamento no Brasil

Anvisa aprova a primeira reposição hormonal para o hipoparatireoidismo, doença que era órfã de terapias no país

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 set 2026, 14h00 | Atualizado em 22 set 2026, 10h59
O hormônio que faltava: doença silenciosa que rouba cálcio do corpo ganha tratamento no Brasil Priorize VEJA no Google

Imagine uma orquestra em que todos os instrumentos têm regente, menos um. Durante décadas, a endocrinologia aprendeu a repor quase todos os hormônios que faltam ao corpo: insulina no diabetes, tiroxina no hipotireoidismo, cortisol na insuficiência adrenal, hormônio de crescimento, hormônios sexuais. Só uma glândula seguia sem um substituto à altura — a paratireoide. Essa lacuna acaba de se fechar no Brasil.

A Anvisa aprovou a palopegteriparatida (nome comercial Yorvipath), a primeira terapia de reposição do paratormônio (PTH) autorizada no país para adultos com hipoparatireoidismo crônico.

É um marco silencioso, mas histórico: a última grande deficiência hormonal da endocrinologia passa a ter, enfim, um tratamento que devolve o hormônio ausente — e não apenas remédios que tentam compensar sua falta.

Um ponto de atenção desde já: o medicamento ainda não está nas farmácias. Depois do registro, o preço precisa ser avaliado e definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A chegada às prateleiras virá só após essa etapa.

Continua após a publicidade

Hipoparatireoidismo: uma doença invisível

O hipoparatireoidismo é raro e pouco conhecido. Nele, as paratireoides — quatro glândulas do tamanho de grãos de arroz, atrás da tireoide — produzem pouco ou nenhum PTH, o hormônio que rege o equilíbrio do cálcio no sangue. A causa mais comum é a retirada acidental dessas glândulas em cirurgias da tireoide.

Sem PTH, o cálcio despenca e o fósforo sobe, o que provoca formigamentos, câimbras, fadiga, névoa mental e, nos casos graves, convulsões e arritmias.

Até agora, o tratamento se apoiava em altas doses de cálcio e de vitamina D ativa. Ajuda, mas não corrige a origem do problema. Pior: esse esquema tende a lançar cálcio em excesso na urina, favorecendo pedras nos rins e, com os anos, perda de função renal. Muitos pacientes convivem com dezenas de comprimidos por dia e uma qualidade de vida corroída.

Continua após a publicidade

O novo tratamento hormonal

A palopegteriparatida é uma forma inteligente do próprio PTH. O medicamento carrega um fragmento ativo do hormônio — o chamado PTH 1-34 — preso a um carreador inerte por um conector especial, a tecnologia TransCon. Nessa forma acoplada, trata-se de um pró-fármaco: a molécula fica praticamente inativa enquanto está ligada.

Depois de aplicada, sob a temperatura e o pH do corpo, o conector se rompe sozinho, aos poucos, liberando o hormônio ativo de maneira lenta e contínua ao longo das 24 horas.

É como trocar um jato que enche o copo de uma vez por uma torneira que goteja no ritmo certo: reproduz a liberação natural da paratireoide e evita os picos e as quedas bruscas de cálcio. Aplicada uma vez ao dia, via subcutânea como insulina ou as canetas antiobesidade, ela mira a causa, não apenas o sintoma — repõe o hormônio que falta em vez de apenas empurrar cálcio de fora para dentro.

Continua após a publicidade

Nos estudos que sustentaram a aprovação, os resultados foram consistentes. Em 52 semanas, cerca de 8 em cada 10 pacientes alcançaram cálcio normal sem depender da vitamina D ativa, e praticamente todos abandonaram as altas doses de cálcio. A perda de cálcio pela urina voltou ao normal — um alívio para os rins. Sintomas, disposição e qualidade de vida melhoraram de modo sustentado.

Não é milagre, e convém dizê-lo. Como todo medicamento, tem efeitos adversos. Os mais comuns foram reações no local da injeção, elevações transitórias do cálcio (sobretudo no início, durante o ajuste da dose), náusea e dor de cabeça. A maioria foi leve a moderada, e a correção da dose costuma contornar os picos de cálcio. Acompanhamento médico próximo, com exames periódicos, é indispensável.

Continua após a publicidade

Um caminho já trilhado lá fora

O Brasil não inaugura essa história. O remédio já foi aprovado e vem sendo usado em outras partes do mundo: nos Estados Unidos, onde está disponível desde o fim de 2024; na União Europeia, com lançamento em países como Alemanha e Áustria; no Canadá; e no Japão. A autorização nacional alinha o país a esse movimento e amplia o horizonte de quem, até aqui, tinha poucas saídas.

Para quem vive com hipoparatireoidismo, a notícia tem peso concreto. Não se trata de mais um medicamento, e sim da chance de tratar a doença pela raiz — repondo o hormônio que faltava. Fechar essa lacuna era, para a endocrinologia, uma dívida antiga. Felizmente, ela será sanada em breve.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

OFERTA ESPECIAL ELEIÇÕES

Digital Eleições

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês*
ECONOMIZE R$ 325 - 45% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*A assinatura inclui acesso ao site de VEJA, conteúdos exclusivos para assinantes e navegação com menos anúncios. Benefícios sujeitos às condições e à disponibilidade da assinatura.
*Pagamento único trimestral de R$ 5,97, equivalente a R$ 1,99/mês durante os 3 primeiros meses.