Dia do Cliente VEJA: 4 revistas impressas a partir de R$ 32,90/mês. Assine agora!

‘O cenário ainda é desalentador’, diz médico que escreveu a história da hipertensão no Brasil

Cardiologista recupera a construção do conhecimento e do tratamento da pressão alta - trajetória que passa por terra brasileira

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 ago 2026, 15h00 | Atualizado em 19 ago 2026, 15h01
‘O cenário ainda é desalentador’, diz médico que escreveu a história da hipertensão no Brasil Priorizar nos meus resultados Google

“No vasto tribunal do corpo humano, onde cada órgão cumpre diligentemente uma função, surge uma ameaça invisível, uma assassina silenciosa, astuta e impiedosa: a hipertensão arterial.” É assim que o cardiologista Fernando Nobre nos apresenta a ré do processo e protagonista de seu mais novo livro, Porque Tudo Muda – A História da Hipertensão. 

Assassina silenciosa. Foi esse o epíteto dado à pressão alta nos anos 1980 quando se bateu o martelo de que o problema, quase sempre assintomático, estava por trás de duas das maiores causas de morte na humanidade: o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC). Falamos de uma condição que, com ou sem conhecimento do portador, afeta ao menos 30% dos brasileiros.

E é a jornada pela compreensão dessa doença crônica e pela busca de um tratamento, com destaque para os principais atores de jaleco na pesquisa e na assistência que participaram dessa história, que Nobre oferece em sua mais recente incursão pelos anais da medicina.

É assim que tomamos conhecimento, por exemplo, de que um dos principais remédios utilizados para a hipertensão só existe graças a uma jararaca e dois médicos-cientistas que atuaram na USP de Ribeirão Preto. Foram eles que identificaram, por meio de uma substância presente no veneno da serpente, um dos processos-chave no controle da pressão arterial – o primeiro passo para que um dia se criasse um comprimido com essa finalidade.

Continua após a publicidade
Livro Porque Tudo Muda: A História da Hipertensão de Fernando Nobre, com capa escura e uma tira de filme antigo exibindo imagens em preto e branco e a frase Assassina Silenciosa
(Foto: Editora/Reprodução)

Dos laboratórios aos consultórios, Nobre transita entre a ciência e a clínica, entre as descobertas dos primeiros experimentos com animais e a articulação de uma rede de centros e sociedades médicas dedicadas a cercar a hipertensão (e salvar os hipertensos) no Brasil.

Continua após a publicidade

Um assunto que, evidentemente, não é página virada. Pelo contrário: permanece um dos maiores desafios de saúde pública dos nossos tempos.

Com a palavra, Fernando Nobre.

Continua após a publicidade

Na história da hipertensão que o senhor apresenta, considera que houve uma descoberta que foi o grande ponto de virada para a compreensão e o tratamento da doença? Sim, na década de 1950, houve o início de um estudo sobre o impacto de fatores de risco para doenças cardiovasculares na comunidade de Framingham nos Estados Unidos. A partir do seguimento dessa população ao longo de anos ficou inequivocamente demonstrado que a hipertensão arterial está relacionada a AVC e Infarto. E, posteriormente, que seu tratamento e controle reduzem o risco imposto por ela.

Qual foi a maior contribuição da ciência brasileira para o controle da pressão alta? A descoberta, na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, a partir de estudos dos farmacologistas Sérgio Henrique Ferreira e Maurício Rocha e Silva, de que é possível inibir a produção da angiotensina II, uma substância diretamente relacionada à elevação da pressão arterial, o que propiciou a criação de uma importante classe de medicamentos.

Continua após a publicidade

Por falar nesses pesquisadores, com os quais o senhor conviveu, acredita que eles foram devidamente reconhecidos? Quando Sérgio Ferreira e Rocha e Silva publicaram os resultados de suas pesquisas na revista médica The Lancet, havia a clara percepção de que seriam naturais vencedores do Prêmio Nobel. Injustamente não tiveram o reconhecimento devido e merecido. E hoje os medicamentos inibidores da conversão da angiotensina são empregados em várias doenças além da própria hipertensão.

O Brasil tem hoje um papel relevante nas pesquisas sobre hipertensão? Temos serviços de pesquisas em hipertensão arterial em diversos locais do país. O Brasil participa de estudos com novas drogas em parceria com as mais destacadas universidades do mundo.

Continua após a publicidade

Qual é o maior desafio no enfrentamento da doença na realidade brasileira atual? Embora já se saiba diagnosticar e tratar hipertensão arterial há anos, ainda temos um cenário desalentador. De cada 100 pessoas com hipertensão, somente 50 estão diagnosticadas. Destas, apenas a metade, ou seja, 25 estão em tratamento. E só metade desse percentual está com a pressão realmente controlada. Esse é o maior desafio para os órgãos governamentais, as sociedades médicas e a população.

Pensando no futuro, vislumbra alguma terapia em pesquisa ou desenvolvimento que possa revolucionar o controle da pressão? Já há estudos em andamento, inclusive com o Brasil participando, de medicamentos que poderão ser utilizados, por exemplo, a cada seis meses ou mais, o que poderá aumentar significativamente a adesão ao tratamento, o maior desafio diante da hipertensão arterial.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Essencial

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).