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Número de mortes entre jovens passa, pela primeira vez, a mortalidade entre crianças

Pesquisa aponta violência de corrente do crime, suicídio e acidentes de trânsito como o principal responsável pela morte em jovens adultos

Por Da Redação - 29 mar 2011, 12h09

As mortes prematuras entre jovens de 10 a 24 anos são hoje três vezes mais frequentes do que entre crianças de um a quatro anos. A virada no número de mortes significa que, após 50 anos de prevalência de morte prematura em crianças, agora são os jovens as maiores vítimas. Segundo uma pesquisa publicada no periódico médico britânico The Lancet, isso acontece porque as campanhas de vacinação e de combate a doenças conseguiram reduzir a quantia de crianças afetadas. Entre os jovens, problemas como violência decorrente do crime, suicídio e acidentes de trânsito acabaram se tornando os grandes responsáveis pelo aumento no número de mortes.

A pesquisa, que analisou dados de 50 países – ricos, com renda média e pobres – nos últimos 50 anos, sinaliza que as taxas de mortalidade entre crianças de um a nove anos teve uma queda de 80% a 93%, em grande parte devido à redução no número de mortes causadas por doenças infecciosas. As mortes entre jovens também sofreram redução no mesmo período, mas não no mesmo ritmo: em rapazes com idades entre 15 e 24 anos, a mortalidade caiu entre 41% a 48%.

Segundo os pesquisadores, as maiores causas de mortes entre os jovens são violência decorrente de crimes, o suicídio e os acidentes de trânsito. Estes problemas elevaram não somente as mortes prematuras entre rapazes de todos os países analisados, mas também entre as garotas de países ricos e do leste europeu.

Segundo Russel Viner, especialista da University College London e coordenador do estudo, o desenvolvimento econômico, a mudança da zona rural para as cidades, o aumento da urbanização e as mudanças sociais geradas a partir daí estão sendo prejudiciais aos jovens, se pensadas em termos de mortalidade. “A juventude costumava ser o período mais saudável de nossas vidas. Isto já não é mais uma verdade”, afirmou à BBC.

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“O mais evidente é que os maiores riscos aos jovens, além de viverem em locais de extrema pobreza ou com grande riscos de doenças infecciosas e guerra, estão nos comportamentos que eles adotam e no contexto em que se encontram”, disse Michael Resnick, da Universidade de Minnesota e um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo. Segundo o especialista, é necessário uma maior atenção às vizinhanças violentas, ao acesso a recursos básicos e ao aumento das oportunidades de trabalho e sociais para que o índice de morte prematura entre os jovens seja controlado.

Variações – O estudo reflete a realidade de muitos países, inclusive o Brasil, onde os jovens morrem principalmente devido ao crime e acidentes de trânsito, mas não deve ser tomado como um retrato fiel da situação mundial. Algumas regiões consideradas as mais pobres da África subsaariana não entraram na pesquisa (porque não havia dados suficientes), e alguns dados regionais podem levar a resultados artificialmente elevados. Em alguns países, por exemplo, a pesquisa contabilizou picos de casos de suicídio que aconteceram logo após o fim do período comunista (final da década de 1990), e que atualmente acontecem em menor número.

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