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Novo remédio que pode zerar crises de epilepsia chega ao Brasil em agosto

Medicamento à base de cenobamato é o primeiro da classe aprovado no país e amplia as opções para adultos que não respondem aos tratamentos convencionais

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jul 2026, 16h00 | Atualizado em 28 jul 2026, 15h45
Novo remédio que pode zerar crises de epilepsia chega ao Brasil em agosto Priorizar nos meus resultados Google

Um novo medicamento para epilepsia que pode eliminar completamente as crises em parte dos pacientes chega ao Brasil em agosto. O XCOPRI (cenobamato) é indicado para adultos com epilepsia farmacorresistente, condição em que as crises persistem mesmo após o uso de diferentes remédios, e é o primeiro medicamento à base dessa molécula aprovado no país.

Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2026, o remédio teve seus preços definidos pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) em julho e será comercializado pela Eurofarma nas apresentações de 12,5 mg, 50 mg, 100 mg e 200 mg.

O principal diferencial do cenobamato está nos resultados observados em estudos clínicos com pacientes que continuavam apresentando crises apesar do uso de outros anticonvulsivantes. Quando usado como terapia complementar, o medicamento reduziu a frequência das crises focais em 55,6% na dose de 200 mg por dia e em 65% na dose de 400 mg por dia.

Além disso, entre 21% e 28,3% dos participantes ficaram completamente livres das crises durante a fase de manutenção do tratamento, um desfecho considerado raro em pacientes com epilepsia farmacorresistente. Para efeito de comparação, após a falha de três diferentes linhas de tratamento, apenas cerca de 4% dos pacientes costumam atingir esse mesmo nível de controle com os medicamentos atualmente disponíveis.

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Os resultados foram reforçados por um estudo de prática clínica publicado em 2025. Após um ano de tratamento, 79,6% dos pacientes apresentaram redução de pelo menos 50% na frequência das crises, enquanto 36,6% permaneceram sem nenhuma crise.

Após dois anos de acompanhamento, esses índices continuavam elevados: 80% mantinham redução de pelo menos 50% das crises e 30,9% seguiam livres delas. Segundo os pesquisadores, esses dados sugerem que os benefícios podem se manter a longo prazo em pacientes com epilepsia de difícil controle.

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O que é a epilepsia farmacorresistente e como o remédio funciona?

A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada por crises recorrentes provocadas por descargas elétricas anormais no cérebro. Embora a maioria dos pacientes consiga controlar os episódios com medicamentos, cerca de um terço continua apresentando crises mesmo após o uso adequado de diferentes anticonvulsivantes.

É justamente para esse grupo que o cenobamato foi desenvolvido. A indicação aprovada no Brasil é para crises focais, aquelas que têm origem em uma região específica do cérebro e podem ou não se espalhar para outras áreas.

Segundo a Eurofarma, o medicamento já vinha sendo comercializado em outros países da América Latina, como Chile e Peru, por meio de um acordo de licenciamento com a farmacêutica sul-coreana SK Biopharmaceuticals, responsável pelo desenvolvimento da molécula.

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O cenobamato age por um mecanismo diferente do observado na maioria dos anticonvulsivantes disponíveis. Ele combina dois efeitos: reduz a hiperatividade elétrica dos neurônios por meio da modulação de canais de sódio e aumenta a ação do GABA, principal neurotransmissor inibitório do cérebro. O objetivo é diminuir a probabilidade de que uma descarga elétrica anormal desencadeie uma crise.

“O tratamento com cenobamato pode reduzir significativamente as crises epilépticas em pessoas com epilepsia farmacorresistente, trazendo benefícios importantes para a qualidade de vida e autonomia. Pacientes que antes não tinham acesso a medicamentos inovadores como esse ou que dependiam de importação excepcional, passam agora a contar com uma nova opção terapêutica no país”, afirma Renata Campos, CEO Brasil da Eurofarma.

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A epilepsia está entre as doenças neurológicas crônicas mais comuns do mundo. No Brasil, estima-se que entre 2 e 3 milhões de pessoas convivam com a condição. Na América Latina e no Caribe, mais de 6 milhões de pessoas têm epilepsia ativa, e mais de 60% não recebem tratamento adequado, segundo estimativas citadas pela empresa.

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