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Novo contraceptivo masculino: por que ele foi cancelado

Apesar da eficácia de quase 96%, os testes com o medicamento foram cancelados devido a efeitos colaterais graves como depressão e queda de libido

Por Da redação 31 out 2016, 14h50

O ‘sonho’ do anticoncepcional masculino está mais próximo, mas ainda não foi dessa vez. Um estudo publicado recentemente no periódico científico Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, mostrou a eficácia de quase 96% de um contraceptivo masculino aplicado na forma de injeção. Entretanto, as pesquisas foram canceladas após cerca de 6% dos participantes relatarem efeitos colaterais “intoleráveis” como depressão, dor muscular, alterações de humor, de libido e acne.

No estudo, realizado por pesquisadores americanos e co-patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU), os cientistas aplicaram injeções de uma mistura de 1.000 mg de testosterona sintética e 200 mg de enantato de noretisterona, essencialmente, um derivado dos hormônios femininos progesterona e estrogênio, que na forma sintética é chamado de progestina.

Participaram do estudo, que teve início em 2008, 320 homens férteis, com idade entre 18 e 45 anos e que estavam em um relacionamento sério. A cada oito semanas, os voluntários recebiam uma dose da injeção. Segundo Seth Cohen, urologista do Centro Médico NYU, em entrevista à rede americana CNN,  quando um homem recebe uma dose de testosterona “seu cérebro entende que seu corpo já tem hormônio suficiente”. Sendo assim, o corpo simplesmente para de produzir testosterona que também reflete na produção de esperma pelos testículos.

Já o papel da progestina é “dar continuidade a esse mal funcionamento do cérebro, de modo que a produção de testosterona e esperma pelo testículo continue desativada”, explicou Cohen, que não estava envolvido no novo estudo.

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De acordo com os autores, essa combinação de hormônios foi utilizada para utilizar uma dose de testosterona que fosse eficaz em reduzir a fertilidade, mas que fosse segura para os participantes.

Os resultados mostraram que a quantidade de espermatozoides caiu para menos de 1 milhão por ml – nível considerado infértil pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e permaneceu dessa forma após 24 semanas do início dos testes em 274 participantes. Ou seja, a eficácia do método era de 96% em usuários contínuos.

Depois do fim das injeções, a fertilidade dos participantes voltou ao ‘normal’ em cerca de 26 semanas, com um tempo mínimo de 12 semanas. Ainda assim, houve problemas. Após 52 semanas sem tomar novas doses, oito participantes não tiveram sua contagem de esperma normalizada para níveis férteis. Mesmo após o fim do estudo, os pesquisadores continuaram a acompanhar esses participantes e cinco deles conseguiram recuperar sua fertilidade após um longo período. .

Efeitos colaterais ‘intoleráveis’

Apesar dos ótimos resultados, o estudo foi interrompido em 2011 devido a “efeitos colaterais intoleráveis” relatados pelos participantes. Em geral, 20 homens desistiram do estudo devido a efeitos adversos. Foram relatados 1.491 eventos adversos, incluindo dor no local da injeção, dor muscular, aumento da libido, depressão, alterações de humor e acne. Segundo os pesquisadores, quase 39% destes sintomas – incluindo uma morte por suicídio – não estavam relacionados ao medicamento.

“Entre 20% e 30% das mulheres que tomam pílulas anticoncepcionais sofrem de depressão e têm que tomar medicação para isso. Eles interromperam esse estudo após apenas 3% dos homens terem relatado sintomas do problema. Essa diferença me chocou.”, disse Elisabeth Lloyd, professora da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, que não estava envolvida no estudo, à CNN.

Doug Colvard, coautor do estudo, disse que são necessárias mais pesquisas para chegar à combinação perfeita de contraceptivos hormonais para serem administrados sem tantos efeitos colaterais. Mas, apesar da interrupção do estudo e dos problemas relatados, mais de 75% dos participantes afirmou que estariam dispostos a utilizar esse método como anticoncepcional.

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