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Nova técnica usa ressonância magnética para identificar ‘ponto fraco’ da doença de Parkinson

Método desenvolvido na Universidade de Tecnologia Eindhoven, na Holanda, pode auxiliar no implante preciso de eletrodos em áreas específicas do cérebro

Por Da Redação 8 set 2011, 17h52

Estimulações profundas no cérebro suspendem os tremores de pacientes com Parkinson. Mas, para que isso aconteça de forma bem-sucedida, os eletrodos que são implantados no cérebro com a função de estimulá-lo devem ser colocados de forma muito precisa – caso contrário, há efeitos adversos. Agora, uma tecnologia desenvolvida pela Universidade de Tecnologia Eindhoven, na Holanda, usa ressonâncias magnéticas para chegar ao núcleo subtalâmico, região do cérebro do tamanho de uma castanha de caju, relacionado às funções motoras, onde o eletrodo deve ser implantado.

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DOENÇA DE PARKINSON

Doença degenerativa do sistema nervoso central em que neurônios responsáveis por secretar dopamina para estruturas envolvidas com o controle motor, cognição, emoções e aprendizado, são afetados. Isso impede que informações sejam corretamente enviadas aos músculos do corpo, ocasionando tremores e déficits de cognição.

NÚCLEO SUBTALÂMICO

Pequenos aglomerados de neurônios interconectados com outras regiões do cérebro. Estão envolvidos diretamente com o controle do movimento, além de influenciarem outros aglomerados associados com a memória e a função cognitiva.

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ELETRODO

Dispositivo que produz corrente elétrica. Nesse caso específico, estimula a atividade cerebral, basicamente impulsionada por sinais elétricos e químicos entre neurônios.

A técnica de estimulação cerebral é usada desde a década de 1980 em pacientes com sintomas severos (tremores nas mãos e nas pernas) da doença de Parkinson. Os pulsos emitidos pelo eletrodo podem parar os tremores, mas isso quase sempre desencadeia reações negativas, com a perda da memória ou a manifestação de comportamentos anormais – como depressão e suscetibilidade ao vício. Isso ocorre porque o implante malsucedido acaba estimulando outras áreas do cérebro envolvidas com emoções e cognição.

A nova técnica permite, pela primeira vez, observar diferentes áreas dessa pequena região cerebral de forma não invasiva. “É difícil visualizar o núcleo diretamente com ressonância magnética porque ele é muito semelhante aos tecidos cerebrais que estão ao redor”, explica Ellen. A técnica desenvolvida, no entanto, mostra os caminhos que levam até o local exato onde o dispositivo deve ser implantado: estruturas fibrosas por onde moléculas de água se movem pelo cérebro.

Até agora, os pesquisadores avaliaram o potencial da técnica apenas em pessoas saudáveis. Contudo, eles ressaltam que a abordagem pode futuramente ser usada por cirurgiões antes do implante de eletrodos no cérebro de pacientes com Parkinson. “Ainda não se sabe se o cérebro de alguém com Parkinson é parecido com o que se vê na imagem da ressonância”, afirma a pesquisadora. Por isso, novas pesquisas serão realizadas pelo instituto.

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