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Nova droga interrompe crescimento do câncer de pâncreas

Dos 19 voluntários que receberam o medicamento, a doença estabilizou-se em 11, e permaneceu assim, em média, por 113 dias

Por Da Redação - 5 Mar 2012, 09h55

O câncer de pâncreas oferece pouquíssimas chances de sobrevida. Cinco anos após o diagnóstico da doença, apenas 6% dos pacientes continuam vivos. E houve pouco progresso nas últimas décadas. Por isso, embora não signifique a cura desse tipo de câncer, uma nova droga, chamada rigosertib, parece bastante promissora. Segundo uma pesquisa publicada no periódico médico Clinical Cancer Research, o medicamento consegue evitar que as células cancerígenas do órgão se multipliquem para, em seguida, matá-las – impedindo, assim, com que o câncer cresça.

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Câncer de pâncreas

Esse tipo de câncer é mais comum após os 50 anos de idade, e é quase duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres – e de duas a três vezes mais frequente entre fumantes. Entre os sintomas do câncer de pâncreas estão, de maneira mais comum, a icterícia (olhos e pele ficam amarelados), que pode levar à coceira pelo corpo e a casos de infecções; vômitos; perda de peso sem causa aparente; falta de apetite; dores de cabeça; sudorese; mal-estar; e uma dor abdominal que pode ser irradiada para as costas. Segundo o Inca, no Brasil, o câncer é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes por câncer.

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O remédio, que ainda está em fase de testes, foi usado em 19 pacientes com câncer de pâncreas em estágio avançado, e com tumores sólidos adicionais (casos de metástase). Dos 19 voluntários, 11 conseguiram estabilizar a doença, que permaneceu assim por 113 dias, em média.

Ação – Em vez de seguir o ciclo celular natural, uma célula cancerígena amplifica a ação de dois sinais: o PLK1 e o P13K. Assim, elas conseguem se reproduzir com mais rapidez. São especificamente esses dois sinais, PLK1 e P13K, que são o foco do rigosertib: a droga é eficiente em “desligá-los”, cancelando o processo.

Assim, as células cancerígenas acabam se reproduzindo em câmera lenta, perdendo velocidade de multiplicação, e acabam por morrer. Enquanto isso, as células saudáveis do órgão, que também podem acabar presas nesse método mais lento de multiplicação, conseguem passar ilesas pelo processo e sobrevivem. “O foco nas duas vias de sinalização permite uma interferência dupla na habilidade do câncer de se replicar”, diz Wells Messersmith, um dos responsáveis pelo Programa de Desenvolvimento Terapêutico da Universidade de Colorado. Por impedir a replicação do câncer, a droga se mostrou eficiente em barrar a evolução da doença

Opinião do especialista

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Felipe José Fernandez Coimbra

Oncologista e diretor de cirurgia abdominal do Hospital A. C. Camargo, em São Paulo

A droga parece ser uma alternativa interessante para o tratamento do câncer de pâncreas. Esses tumores são agressivos e existem poucas opções eficazes de tratamento atualmente. O estudo com o rigosertib, ainda em fase inicial, mostrou uma taxa de mais de 50% na estabilidade da doença. Isso significa que ele conseguiu barrar o crescimento do tumor – reduzindo, assim, sua agressividade.

É importante frisar que o remédio não aponta exatamente para uma possibilidade efetiva de cura do câncer de pâncreas. Mas ele poderá ser uma forma segura de tratamento para barrar o avanço da doença sem agredir as células normais do corpo.

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