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Nos EUA, transplante de células-tronco pode ter curado dois pacientes com HIV

Transplante foi feito em dois homens infectados pelo vírus da aids para tratar um linfoma. Hoje, eles não apresentam níveis detectáveis de HIV no sangue, embora estejam há alguns meses sem tomar remédios que controlam a infecção

Por Da Redação 3 jul 2013, 11h41

Um transplante de células-tronco parece ter eliminado o vírus HIV em dois homens infectados e que há tempos faziam uso de medicamentos para controlar a doença. O transplante, junto à quimioterapia, foi realizado em Boston, Estados Unidos, após ambos os pacientes serem diagnosticados com linfoma, um tipo de câncer de sangue. Depois do procedimento, os médicos não conseguiram encontrar nenhuma evidência de que o HIV ainda estivesse presente no corpo desses homens. O caso dos pacientes foi anunciado nesta quarta-feira durante uma conferência da Sociedade Internacional de Aids, na Malásia.

Um dos transplantes foi realizado há cinco anos e o outro, há três anos. Segundo Timothy Henrich, médico da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard e do Hospital Brigham and Women’s, Estados Unidos, que participou do caso, o primeiro paciente está livre dos antirretrovirais há 15 semanas e o segundo, há sete semanas.

Ele acredita que ainda é cedo, porém, para dizer com certeza que o vírus foi definitivamente eliminado do organismo dos pacientes. A confirmação da cura só poderá ser obtida após os pacientes serem acompanhados por ao menos um ano, já que o vírus pode estar “escondido” no corpo.

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Os médicos haviam relatado o caso desses homens pela primeira vez em julho do ano passado. Na época, o tratamento com células-tronco já havia sido feito, os pacientes já não apresentavam níveis detectáveis de HIV na corrente sanguínea, mas eles ainda tomavam antirretrovirais para controlar a infecção.

Apesar dos resultados positivos, os especialistas não veem a terapia com células-tronco como uma forma viável de tratar absolutamente todos os pacientes infectados pelo vírus da aids, já que tal tratamento é muito caro e complexo. “Porém, esses casos podem nos levar a novas abordagens para tratar e até a erradicar o HIV”, disse, em comunicado, Kevin Robert Frost, diretor da Fundação para Pesquisa em Aids (amFar).

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O paciente de Berlim – No fim de 2010, o americano Timothy Ray Brown, até então infectado pelo vírus HIV, deixou de apresentar o vírus no sangue depois de se submeter a um transplante de medula, realizado para tratar uma leucemia. O médico Gero Huetter selecionou um doador que, além de compatível com Brown, apresentava uma mutação do CCR5, que é a proteína que permite a entrada HIV nas células de defesa do nosso organismo. Sem ela, não há como o vírus infectar uma pessoa. Três anos após o procedimento, Brown deixou de apresentar o vírus no sangue, sem mesmo utilizar o coquetel antirretroviral. A notícia chamou a atenção de todos, mas os médicos ainda não consideram realizar transplante de medula em pacientes soropositivos uma vez que vez que o procedimento é muito arriscado.

Os novos casos apresentados nesta quarta-feira, porém, possuem diferenças em relação à história de Brown – uma delas é o fato de os dois homens não terem recebido células-tronco com a mutação da proteína CCR5.

Se esses dois homens de Boston se mantiverem saudáveis, eles serão o terceiro e o quarto paciente no mundo a serem curados do HIV. O primeiro foi Brown e o segundo, uma criança de Mississippi que foi submetida à terapia antirretroviral logo após seu nascimento. “O doutor Henrich está traçando um novo caminho para a pesquisa em erradicação do HIV. Independentemente do resultado, nós aprendemos mais sobre o que é preciso para curar o HIV”, disse, em comunicado, Rowena Johnston, vice-presidente e diretora de pesquisas da amFar.

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