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No Rio, pacientes morrem na fila à espera de UTIs, enquanto leitos ficam vazios

Relatório do Ministério Público aponta que 209 pessoas morreram em emergências enquanto aguardavam transferência para outros setores entre 1º e 19 de agosto

Por Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro 4 dez 2013, 06h25

Entre os dias 1ª e 19 de agosto deste ano, 209 pacientes das emergências de unidades de saúde do Rio morreram enquanto aguardavam uma vaga em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) e enfermarias especializadas – como oncologia e infectologia. Os números fazem parte de um levantamento realizado por peritos do Grupo de Apoio Técnico Especializado (Gate) do Ministério Público Estadual, e é referente a emergências de hospitais públicos e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital.

O Ministério Público, agora, investiga o motivo da média assustadora de onze mortes por dia de pacientes que sequer tiveram a chance de receber o atendimento necessário – o que equivale a dizer que morreram na fila. E não necessariamente por falta de leitos: uma das provas da desorganização do sistema de saúde é a coexistência de fila e de leitos vagos, em alguns períodos. Os peritos contataram que no mesmo período em que 220 adultos esperavam por um leito de UTI, havia 32 deles vazios nos hospitais vistoriados. Havia ainda onze leitos de UTI pediátrica ociosos, quando quatro crianças esperavam transferência para o setor.

Dos 209 óbitos do período especificado, 45 estavam em UPAs. As unidades, que despontaram como uma solução para desafogar os hospitais gerais, não foram concebidas nem estão equipadas para manter internados doentes graves.

De acordo com o relatório elaborado pelos peritos, 1.225 pacientes estavam internados nas emergências dos quinze hospitais públicos, em trinta UPAs e em cinco Centros Especializados em Reabilitação (CER) vistoriados entre os dias 12 e 19 de agosto. Entre os 1.225 doentes, 812 esperavam por internação – 224 deles precisavam ser transferidos para UTIs.

No documento, há casos de pacientes mantidos em emergências por 40 dias, local destinado à estabilização dos doentes para que possam ser transferidos para outros setores. Há relatos ainda de doentes internados em UPAs que são direcionados a hospitais para ser avaliados por especialistas ou submetidos a exames e que, devido à falta de leitos nos hospitais, voltam para as UPAs – às vezes sem o atendimento.

O resultado do trabalho, que será analisado quinta-feira durante Audiência Pública na sede do MP, é o capítulo mais recente de um problema que se arrasta há mais de uma década no Rio de Janeiro: a falta de um sistema que controle os leitos especializados na região metropolitana. Atualmente, não há troca de informações entre os sistemas de internação da esfera pública ou entre as unidades de saúde. Gestores municipais e estaduais mantêm centrais diferentes, o que produz duas filas distintas, com critérios de internações pouco transparentes, segundo os promotores.

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