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Mulheres serão mais afetadas pelas mudanças climáticas, diz relatório da ONU

O Relatório Sobre a Situação da População Mundial 2009, elaborado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e divulgado nesta quarta-feira, aponta que as mulheres serão mais afetadas pelas mudanças climáticas ao longo dos próximos anos.

“As mulheres – principalmente aquelas dos países pobres – serão afetadas de um modo diferente em comparação com os homens. Elas estão entre os mais vulneráveis à mudança do clima”, afirma o relatório.

A principal razão, segundo a ONU, é que em muitos países as mulheres ainda constituem a maior parte da força de trabalho agrícola, tendem a ter menos acesso a oportunidades de geração de renda, menor mobilidade e estão mais expostas aos desastres naturais. Esse “ciclo de privação, pobreza e desigualdade”, como define a organização, compromete o capital social necessário para lidar efetivamente com a mudança do clima.

Outra constatação do relatório é que o aquecimento global deverá ser responsável pelo deslocamento de até 200 milhões de pessoas até 2050. Milhões de pessoas que hoje vivem em áreas costeiras de baixa altitude poderão precisar deixar suas casas se os níveis do mar subirem conforme previsto pela maioria dos especialistas. Além disso, secas prolongadas e graves poderão levar muitos agricultores de áreas rurais para as cidades, enquanto os moradores de favelas urbanas em áreas sujeitas a enchentes poderão migrar para áreas rurais.

Perspectiva humana – O relatório da ONU tem como principal objetivo colocar sob a perspectiva humana os problemas relacionados ao aquecimento global, questionando como as ações individuais podem influenciar nos impactos.

De acordo com a diretora-executiva do Fundo, Thoraya Ahmed Obaid, são de extrema importância as questões da responsabilidade dos países, “mas também são importantes as questões fundamentais sobre como a mudança do clima afetará mulheres, homens, meninos e meninas diferentemente em todo o mundo”, escreveu Thoraya.

O documento conclui que os acordos internacionais terão mais êxito no longo prazo se levarem em conta as dinâmicas populacionais, as relações entre os gêneros e o bem-estar das mulheres e seu acesso a serviços e oportunidades.

Além disso, o crescimento populacional é apontado com um dos fatores que mais contribuem para o aquecimento global. Segundo o relatório, um ritmo mais lento de crescimento da população ajudaria a mitigar os impactos das mudanças climáticas, contribuindo para uma redução na emissão de gases do efeito estufa.