Mudanças nas fezes podem indicar câncer de intestino; saiba os sinais
Tumor pode permanecer anos no organismo sem desencadear sintomas; ator Lúcio Mauro Filho revelou diagnóstico
Terceiro tumor mais incidente no Brasil, o câncer colorretal pode passar anos sem desencadear sintomas que anunciem sua presença. Alterações nas fezes e no funcionamento do intestino são sinais que costumam ser confundidos com problemas comuns e menos graves, como hemorroidas e doenças inflamatórias, mas devem ser levados em consideração e apresentados a um especialista quando forem persistentes.
“Apesar de a doença muitas vezes ser silenciosa, o paciente deve observar se há alterações do hábito intestinal”, diz Artur Ferreira, oncologista da Oncoclínicas.
No caso do câncer de intestino, como a doença também é conhecida, a observação da consistência e até o formato das fezes é importante para perceber se algo não vai bem com a saúde do órgão.
Assim, diarreia, constipação (prisão de ventre), afilamento das fezes e presença de sangue são sinais de alerta quando não são episódios pontuais.
Nem todas as pessoas se atentam ao tema, mas considerar a aparência das fezes faz parte dos cuidados com a saúde de forma geral, não apenas como um alerta para tumores.
Existe até um guia de referência para profissionais de saúde com o intuito de ajudar na avaliação das fezes: a Escala de Bristol. Nesse material, há sete critérios de classificação de acordo com forma e consistência para compreensão do funcionamento intestinal.
Assim funciona a escala:
Indicadores de prisão de ventre
- Tipo 1: fezes endurecidas em formato redondo que saem separadas
- Tipo 2: fezes em formato de salsicha, mas duras e com aspecto encaroçado
Funcionamento normal do intestino
- Tipo 3: em forma de salsicha, com rachaduras na superfície
- Tipo 4: liso, macio e semelhante a uma cobra
Trânsito intestinal acelerado
Tipo5: pedaços macios com bordas bem definidas e que saem separados
Diarreia leve
- Tipo 6: fezes pastosas e com bordas irregulares
Diarreia grave
- Tipo 7: fezes aquosas ou líquidas, sem pedaços sólidos
Além do aspecto das fezes, outras mudanças também devem ser consideradas. “Ausência da sensação de alívio após a evacuação, como se nem todo conteúdo fecal fosse eliminado, massas palpáveis no abdome, dores abdominais, perda de peso sem motivo aparente, fraqueza e sensação de fadiga”, cita Ferreira.
Fatores de risco para o câncer colorretal
Algumas pessoas associam o câncer colorretal ao mau funcionamento do intestino, principalmente à prisão de ventre. Segundo Ferreira, isso é considerado, no momento, como um fator para risco aumentado na teoria.
“Tempos prolongados de trânsito do intestino podem aumentar o tempo de exposição da parede intestinal às substâncias que estimulam o surgimento do câncer presentes nas fezes (carcinógenos). Além disso, a constipação altera a flora bacteriana local”, explica.
No entanto, o foco deve ser em evitar os fatores de risco já conhecidos na literatura científica.
“Merecem mais importância, neste contexto: idade, obesidade, sedentarismo, dietas ricas em carne vermelha e pobres em vegetais e fibras, diabetes e tabagismo.”
Detecção precoce
Médicos costumam direcionar um paciente para a investigação quando há suspeita da doença ou histórico do tumor na família.
Um dos primeiros exames solicitados é o teste de imunoquímica fecal, mais conhecido como pesquisa de sangue oculto nas fezes. Ele costuma apontar os pacientes que devem ou não receber a indicação para fazer a colonoscopia. Outro exame é o DNA das fezes, que avalia mutações em células de regiões suspeitas.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), a colonoscopia é considerada o padrão-ouro para investigação das lesões. Além da observação do cólon e do reto, é possível fazer a coleta de tecidos para biópsia.
O rastreamento de rotina com a colonoscopia é indicado a partir dos 50 anos e, em casos de baixo risco, deve ser repetido a cada cinco anos.
Quando são detectados pólipos na região, pode ser feita a retirada durante o procedimento. Isso é importante para a prevenção, porque essas lesões benignas podem evoluir, de forma lenta, para tumores.
No Sistema Único de Saúde (SUS), acabou de ser incorporado um teste de alta tecnologia para detecção das lesões antes do aparecimento dos sintomas sem a necessidade de exames invasivos,o FIT, sigla em inglês para Teste Imunoquímico Fecal.
O FIT, uma evolução do exame de sangue oculto nas fezes, será o teste de referência para pessoas de 50 a 75 anos assintomáticas.
Câncer colorretal
O câncer colorretal é o exemplo mais emblemático de tumores que estão aparecendo com mais frequência em adultos jovens. Estudos apontam que, em comparação com a década de 1950, essa população enfrenta um risco duas vezes maior de desenvolver a doença no intestino grosso e quatro vezes maior de enfrentar um diagnóstico no reto.
A doença voltou aos holofotes no Brasil após o autor Lúcio Mauro Filho relatar o diagnóstico durante uma entrevista.







