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Ministério Público entra com recurso para pedir nova prisão de médica acusada de homicídio em Curitiba

A médica intensivista Virgínia de Souza foi solta no dia 20 para responder ao processo em liberdade, após um mês de prisão preventiva

Por Da Redação - 25 Mar 2013, 21h09

O Ministério Público do Paraná entrou, nesta segunda-feira, com recurso no Tribunal do Júri de Curitiba solicitando a prisão da médica Virgínia Helena Soares de Souza, solta no dia 20 de março, depois de um mês em prisão preventiva. Virgínia e outros sete funcionários do Hospital Evangélico foram denunciados por homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha. Eles são acusados de envolvimento nas mortes de sete pessoas que estavam na UTI Geral, além de serem suspeitos de outras 21 mortes.

De acordo com o Ministério, o pedido de recurso foi feito com base no fato de que Virgínia é acusada de chefiar a quadrilha e por haver relatos de que a médica teria intimidado testemunhas do caso.

Elias Mattar Assad, advogado de defesa de Virgínia, disse em entrevista ao site de VEJA que considera o assunto uma “matéria perdida”, uma vez que o juiz já analisou o caso em profundidade e concluiu que a médica tem o direito de responder em liberdade. “Para ela ser presa novamente seria necessário evidenciar um comportamento concreto inconveniente dela, e não existe esse comportamento. Ela foi para casa e não fala nem ao telefone, não vejo um fato que justifique”, afirma Assad.

O pedido de liberdade de Virgínia foi aceito pelo Juiz de Direito da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, Daniel Surdi de Avelar, na última quarta-feira.

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Cronologia do caso

  1. 19 de FevereiroVirgínia Helena Soares de Souza e mais três médicos, além de uma enfermeira, são detidos suspeitos de acelerar a morte de pacientes na UTI Geral do Hospital. Até então o inquérito corria em segredo de justiça.
  2. 26 de Fevereiro – A Vara de Inquéritos Policiais de Curitiba determina a quebra do segredo de Justiça do inquérito que investiga a antecipação de óbitos na UTI geral do Hospital Evangélico de Curitiba. No mesmo dia o Sindicato dos Delegados de Policia do Paraná (Sidepol), defendeu a atuação da delegada Paula Brisola no comando do inquérito. Na época, seu trabalho enfrentava diversas críticas, tanto por parte da direção do Hospital, como da defesa de Virgínia Helena Soares de Souza.
  3. 27 de Fevereiro – Após boatos de que teria utilizado um oficial formado em enfermagem infiltrado na UTI Geral do Hospital Evangélico, a Polícia Civil divulga nota esclarecendo que “a execução da medida [infiltração de um agente na UTI] se tornou inviável do ponto de vista operacional, optando-se pela interceptação telefônica autorizada judicialmente”.
  4. 1 de Março – Polícia Civil divulga nota corrigindo trechos da investigação após divulgação de uma degravação constante no inquérito. A palavra “raciocinar” havia sido transcrita como “assassinar” no documento em questão.

6 de Março – A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Paraná informa que vai investigar como detalhes do inquérito sobre as mortes na UTI Geral do Hospital Evangélico vazaram à imprensa antes da quebra de sigilo determinada pela polícia em 25 de fevereiro, uma semana depois do caso ganhar repercussão na imprensa.

  1. 11 de MarçoO Ministério Público do Paraná denuncia a médica Virgínia Helena Soares de Souza por homicídio qualificado e formação de quadrilha. Além de Virgínia, acusada de sete homicídios duplamente qualificados (por motivo torpe e por usar meios que dificultaram a defesa do paciente) e formação de quadrilha, também foram denunciados o médico Anderson de Freitas (dois homicídios duplamente qualificados e formação de quadrilha), os médicos Edison Anselmo da Silva Junior e Maria Israela Cortez Boccato (um homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha), as enfermeiras Laís da Rosa Groff e Patrícia Cristina de Goveia Ribeiro (um homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha); e o enfermeiro Claudinei Machado Nunes e a fisioterapeuta Carmencita Emília Minozzo (formação de quadrilha). A denúncia foi aceita pela Justiça no dia 15 de março.
  2. 20 de MarçoA Justiça atende a um pedido da defesa e revoga a prisão preventiva de Virgínia Soares, que passa a responder ao processo em liberdade. O pedido foi aceito pelo Juiz de Direito da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, Daniel Surdi de Avelar.
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