Ministério Público denuncia médica do caso da UTI de Curitiba por homicídio qualificado e formação de quadrilha

Além de Virgínia Helena Soares de Souza, mais três médicos e duas enfermeiras foram denunciados por homicídio qualificado e formação de quadrilha; e um enfermeiro e uma fisioterapeuta foram denunciados por formação de quadrilha

Por Da Redação - 11 mar 2013, 18h52

O Ministério Público do Paraná denunciou nesta segunda-feira a médica Virgínia Helena Soares de Souza por homicídio qualificado e formação de quadrilha. Virgínia está presa desde o dia 19 de fevereiro, acusada de acelerar a morte de pacientes da UTI Geral do Hospital Evangélico de Curitiba.

Além de Virgínia, acusada de sete homicídios duplamente qualificados (por motivo torpe e por usar meios que dificultaram a defesa do paciente) e formação de quadrilha, também foram denunciados o médico Anderson de Freitas (dois homicídios duplamente qualificados e formação de quadrilha), os médicos Edison Anselmo da Silva Junior e Maria Israela Cortez Boccato (um homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha), as enfermeiras Laís da Rosa Groff e Patrícia Cristina de Goveia Ribeiro (um homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha); e o enfermeiro Claudinei Machado Nunes e a fisioterapeuta Carmencita Emília Minozzo (formação de quadrilha).

A médica Krissia Kamile Singer Walbach, que chegou a ser indiciada pela Polícia Civil por homicídio qualificado e formação de quadrilha, não foi denunciada pelo MP. “Consideramos que não havia elementos suficientes para incluí-la na denúncia”, disse ao site de VEJA a promotora de justiça Fernanda Garcez. “Mas nada impede que ela possa ser incluída em uma futura denúncia.”

Segundo Garcez, o Ministério Público já pediu a instauração de um novo inquérito policial para continuar investigando as mortes de pacientes de internados na UTI do Hospital Evangélico. “Era um esquema muito grande, que funcionava havia muito tempo.”

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A denúncia do Ministério Público tomou como base o inquérito realizado pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (NUCRISA), que reuniu testemunhos, interceptações telefônicas e quase 2.000 prontuários médicos. Segundo a denúncia do MP, entre janeiro de 2006 e 19 de fevereiro de 2013, os profissionais denunciados teriam “se associado em quadrilha para cometer homicídios de pacientes.”

Virgínia, segundo o MP, teria usado medicamentos empregados para auxiliar a ventilação mecânica para matar os pacientes por asfixia. “Não havia nada nos prontuários médicos que justificasse o uso desses medicamentos”, afirmou a promotora Fernanda Garcez.

O MP ainda não conseguiu determinar, no entanto, qual seria a motivação dos crimes pelos quais os profissionais são acusados. Por enquanto, a hipótese mais forte vem das escutas telefônicas, nas quais Virgínia disse que queria “desentulhar a UTI”. “Os prontuários são a prova mais forte”, disse Garcez.

Entrevista – Na noite do último domingo (10), Virgínia concedeu sua primeira entrevista desde sua prisão. Ela usou um gravador para responder às perguntas enviadas pelo Fantástico através de seu advogado, Elias Mattar Assad. “Nunca fui negligente, imprudente. Nunca tive uma infração ética registrada, uma queixa e exerci a medicina de forma consciente, correta”, declarou. “Não sou Deus, não sou perfeita. Erros podem ter acontecido, mas jamais de forma intencional”, completou.

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Virgínia afirmou ainda que as testemunhas que depuseram contra ela não tem conhecimento médico. Outros depoimentos teriam sido de pessoas que haviam sido demitidas e agora pretendem se vingar. Ela refutou a hipótese de favorecimento no atendimento de pacientes encaminhados por planos de saúde particulares. “Muitas vezes é mais fácil um doente sobreviver quando ele é do SUS do que de plano de saúde, pois alguns procedimentos emergenciais de planos de saúde que deveriam ser liberados de forma imediata demoram a ser liberados”.

A médica reiterou sua inocência diante das acusações: “Ficamos submetidos a julgamento de pessoas sem capacidade de compreensão”.

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