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Ministério da Saúde formaliza pedido para incorporação de canetas emagrecedoras no SUS

Pasta diz que solicitação se baseia em recomendação da OMS sobre uso de medicamentos no tratamento da obesidade

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 set 2026, 18h44 | Atualizado em 24 set 2026, 19h15
Ministério da Saúde formaliza pedido para incorporação de canetas emagrecedoras no SUS Priorize VEJA no Google

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira, 24, que formalizou um pedido para análise da incorporação das canetas antiobesidade, mais conhecidas como “canetas emagrecedoras”, na rede pública de saúde. O documento foi enviado para a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e prevê que seja avaliada a oferta do medicamento para pessoas que vivem com obesidade.

Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou que pacientes do SUS com obesidade receberiam o tratamento mediante prescrição médica, mas não informou prazos.

Na ocasião, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que a oferta do medicamento no SUS terá como foco os pacientes que mais terão benefícios com o tratamento: pessoas com obesidade grave, doenças associadas, caso de problemas cardiovasculares, indicação para cirurgia bariátrica e mulheres que tiveram câncer de mama (para avaliar se a medicação pode reduzir o risco de o tumor voltar).

Padilha enfatizou ainda que o objetivo não é promover um “milagre estético”, mas oferecer um tratamento eficaz para uma doença crônica.

O ofício enviado pelo Ministério da Saúde apresentou como argumento a posição da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o acesso equitativo aos tratamentos com as terapias à base de agonistas do GLP-1, caso da liraglutida, semaglutida e tirzepatida.

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“A iniciativa tem respaldo na primeira diretriz da OMS sobre o uso, em escala populacional, de terapias baseadas em GLP-1 para o tratamento da obesidade a longo prazo, publicada no final de 2025”, disse, em nota, a pasta. “A organização entende que, sem políticas deliberadas, o acesso a essas terapias pode exacerbar as disparidades de saúde existentes. E apela para ações urgentes em relação à produção, à acessibilidade e à prontidão dos sistemas de saúde globais.”

Segundo o ministério, a prevalência da obesidade no Brasil passou de 11,8%, em 2006, para 25,7%, em 2024.

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Canetas emagrecedoras e o futuro da luta contra obesidade

Canetas mais baratas

Outro argumento apresentado pelo ministério foi a queda do preço das canetas antiobesidade. De acordo com a pasta, houve uma redução de 70% no valor em menos de um ano em função do aumento da concorrência, movimento resultante das aprovações de novos medicamentos a partir da queda da patente da semaglutida, ocorrida em março.

Por isso, a pasta pediu a avaliação apenas das medicações à base de liraglutida e semaglutida, que não são protegidas por patente.

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“Até o momento, 25 canetas emagrecedoras já foram registradas no país, sendo 14 delas em 2026, fruto direto da estratégia de fomento do Ministério e da Anvisa, incluindo versões produzidas nacionalmente e medicamentos genéricos. E novos registros ainda são esperados”, afirmou.

Projeto-piloto com caneta emagrecedora

O uso da medicação no SUS ocorre ainda no projeto-piloto de um estudo que avalia custo-efetividade e impactos para a saúde do uso de semaglutida em pacientes da rede pública de saúde.

Batizado como Real-Bari, o estudo tem previsão de durar dois anos e vai acompanhar 250 pacientes com obesidade grave acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), localizado em Porto Alegre (RS).

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Os participantes do estudo já são pacientes do hospital e foram selecionados após a verificação de critérios que vão além da obesidade grave: os voluntários precisavam ter alguma comorbidade, como problemas cardíacos, indicação para cirurgia bariátrica, diagnóstico estabelecido há mais de um ano e histórico de falha no tratamento convencional – alimentação balanceada e prática de atividade física – por, ao menos, dois meses.

Esse perfil, de acordo com a pasta, representa 91% dos pacientes que apresentam a forma grave da doença, a obesidade grau 3. Neste caso, o índice de massa corporal (IMC) está superior a 40 ou acima de 35 com doenças relacionadas.

Etapas para oferta no SUS

O aval da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) é o primeiro passo para que a caneta de semaglutida chegue aos pacientes do sistema público.

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A Novo Nordisk, por exemplo, já submeteu o medicamento à comissão e teve o pedido negado. Ao dar parecer desfavorável à incorporação no ano passado, a Conitec considerou o impacto orçamentário de mais de R$ 8 bilhões.

Em junho, um novo pedido foi feito e a empresa apresentou um desconto de 59% no medicamento para o governo. Foram delimitados os pacientes aptos a fazer o tratamento: pessoas com mais de 45 anos que vivem com obesidade, não têm diagnóstico de diabetes e já sofreram infarto.

Mesmo com o parecer da Conitec, há outras etapas que devem ser cumpridas, caso da definição dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), que estabelecem como a medicação deverá ser administrada. Além disso, o Ministério da Saúde ainda tem um prazo de 180 dias para efetivar a oferta.

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