Método experimental promete substituir a quimioterapia

Técnica isola células cancerígenas e as mata por excesso de calor

Por Da Redação - 23 nov 2010, 12h39

Em um esforço que reuniu pesquisadores de três países, foi apresentado nesta terça-feira um novo tipo de tratamento para o câncer que promete aposentar a quimioterapia. O método consiste em elevar a temperatura do tumor (ou seja, causar hipertermia), enquanto se mantêm frios os tecidos saudáveis ao redor. O tailandês Monrudee Liangruksa, o americano Ishwar Puri e o indiano Ranjan Ganguly apresentaram os resultados de sua pesquisa no encontro anual da Sociedade Americana Medicinal, no estado americano da Califórnia.

Puri explicou que a técnica é possível por meio da indução da hipertermia com uso de ferrofluidos – líquidos que respondem a campos magnéticos. Quando expostas ao magnetismo, as nanopartículas (um bilionésimo menores que um metro) dos ferrofluidos são atraídas para o tumor, como clipes metálicos seguindo um imã.

Ishwar Puri, professor da Universidade Virginia Tech e membro da equipe responsável pelo estudo. Ishwar Puri, professor da Universidade Virginia Tech e membro da equipe responsável pelo estudo.

Ishwar Puri, professor da Universidade Virginia Tech e membro da equipe responsável pelo estudo. /

“Depois de aplicados na veia, esses fluidos podem ser magneticamente orientados para tecidos cancerígenos”, diz Puri. “As nanopartículas magnéticas penetram no tecido da célula tumoral devido à alta permeabilidade desses vasos.”

Em seguida, as nanopartículas são aquecidas e causam a morte do tecido cancerígeno por excesso de calor. “O tumor sofre coagulação ou carbonização por exposição a uma frequência de rádio. A transferência de calor das nanopartículas para o tecido pode causar também a ruptura das membranas celulares”, explica o pesquisador.

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O tratamento se chama hipertermia magnética fluida, mas a equipe o apelidou de termoterapia. Em temperaturas entre 41 e 45 graus Celsius já é possível reduzir o crescimento de um tumor. No entanto, sem a atração magnética dos ferrofluidos, que concentram o calor só na região afetada pelo câncer, esse processo mataria também as células saudáveis. “O tratamento ideal aumenta a temperatura das células tumorais por aproximadamente 30 minutos, mantendo a temperatura dos tecidos saudáveis abaixo de 41 graus Celsius”, disse Puri.

Como próximo passo, os pesquisadores planejam testar o procedimento em diversos tipos de células cancerígenas, em colaboração com o especialista Elankumaran Subbiah, da Escola de Medicina Veterinária de Virgínia-Maryland.

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