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Menos brasileiros confiam na ciência e nas vacinas, diz pesquisa

Feito pela Fiocruz, o estudo também revela a percepção sobre o meio ambiente e informações falsas do governo federal sobre os imunizantes contra a Covid-19

Por Diego Alejandro
Atualizado em 13 dez 2022, 15h50 - Publicado em 13 dez 2022, 15h48

Menos brasileiros acreditam na ciência e nas vacinas. Essa é a conclusão de uma nova pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que também chama atenção para os 40% dos entrevistados que dizem concordar com a afirmação de que “as empresas farmacêuticas escondem os perigos das vacinas”.  

Para o levantamento, foram realizadas entrevistas domiciliares, pessoais e individuais com 2.069 pessoas, com 16 anos ou mais, no período de agosto a outubro deste ano. A maioria dos entrevistados (68,9%) declarou confiar ou confiar muito na ciência, enquanto 23,5% disseram confiar pouco. 5,8% afirmaram não confiar, e 1,8% não souberam ou não quiseram responder.

A confiança não é considerada baixa, mas é menor do que apontaram outras pesquisas recentes como o Índice do Estado da Ciência, um amplo estudo mundial feito pela empresa 3M em 2022, que apontou um índice de 90% na afirmação “eu confio na ciência”. Para os pesquisadores, os dados indicam que a confiança dos brasileiros “parece ter sido afetada negativamente por campanhas organizadas de desinformação, que cresceram em quantidade e impacto durante a pandemia da Covid-19”.

A pesquisa mostra ainda disparidades regionais. Enquanto 29,3% dos brasileiros diz confiar pouco ou não confiar na ciência em âmbito nacional, esse percentual é de 43,3% na região Centro-Oeste. No Nordeste, é de 30,6%; no Sul, 28,2%; no Sudeste, 27,2%, e na região Norte, 26,1%.

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“Isso indica um cenário de desafios para gestores, cientistas, educadores e profissionais de comunicação, que precisam desenhar estratégias de comunicação pública da ciência que levem em consideração as especificidades de local, perfil de público e contexto”, diz a pesquisa, que teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro.

Vacinas

Outro aspecto importante do estudo trata da percepção sobre as vacinas. Elas foram consideradas importantes para proteger a saúde pública para 86,7% dos entrevistados, seguras (75,7%) e necessárias (69,6%). Por outro lado, a maior parte (46,4%) concorda que elas produzem efeitos colaterais perigosos.

Especificamente sobre as vacinas contra a Covid-19, a maior parte dos entrevistados reconhece sua ajuda para acabar com a pandemia e proteger das formas severas da doença, além de considerá-las eficazes e seguras. E para 46,7% dos entrevistados, o governo federal forneceu informações falsas sobre elas. 

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O levantamento, contudo, expõe dados alarmantes. Cerca de 13% dos entrevistados declaram que não pretendem tomar doses de reforço da vacina contra a Covid-19 e quase 8% dos que têm filhos ou menores sob sua responsabilidade declaram não ter a intenção de vaciná-los. O perfil desta minoria foi traçado: os autores do estudo descobriram que, “além do acesso ao conhecimento, eles são profundamente diferentes por sexo e por valores”. Segundo os pesquisadores, a chance de recusar vacina aos filhos é muito maior entre os homens e cresce entre as pessoas que declaram que “o crescimento econômico e a criação de empregos devem ser prioridades máximas, mesmo quando a saúde da população sofra de algum modo”.

Meio ambiente

Os pesquisadores perguntaram ainda sobre mudanças climáticas. A maioria (91%) reconhece que elas estão acontecendo, enquanto menos de 6% acredita que elas não existem. Para 30,6%, o Brasil é um dos países que melhor preserva o meio ambiente, embora 42,8% discordem da afirmação.

Os entrevistados também acreditam que as mudanças climáticas estão prejudicando a qualidade de vida no Brasil (78,3%), que podem prejudicar a si e a suas famílias (81%) e, também, as próximas gerações (82,8%).

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