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Médicos querem ampliar vacinação de adolescentes

Por Clarissa Thomé

Rio de Janeiro – A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançou nesta terça-feira alerta sobre a importância da vacinação de adolescentes – faixa etária que tem calendário próprio de imunização, mas em que é mais difícil obter a cobertura necessária. Mais de 350 médicos de todo o País reuniram-se nesta terça-feira em São Paulo para discutir estratégias para ampliar a vacinação desse público.

Entre as preocupações dos médicos está a hepatite B, doença transmissível pelo beijo, relações sexuais, e pelo sangue, e que pode se tornar crônica, levando a complicações, como a cirrose. A vacina contra a hepatite B é a primeira a ser dada ao bebê, no nascimento, mas só entrou no Programa Nacional de Imunização a partir de 1998. Quem tem mais de 15 anos pode não ter recebido as doses necessárias. “A hepatite B é 100 vezes mais transmissível do que a aids. É preciso se certificar de que o adolescente tomou as três doses, que garantem a imunidade”, afirmou o médico Renato Kfouri, presidente nacional da Sbim.

Kfouri lembra que já há uma cultura de vacinar bebês e crianças, público em que a cobertura chega a atingir 100% para algumas doenças. Mas isso não ocorre com os adolescentes. “Luta-se para chegar a 40% de cobertura vacinal. Isso ocorre porque é difícil levar o adolescente à sala de vacina. Ele não se sente vulnerável às doenças”.

Entre as barreiras, Kfouri aponta o fato de precisar haver uma negociação dos pais com o jovem, que precisa ser convencido da importância da vacina. “Também é necessário que os profissionais de saúde tenham outro entendimento sobre o assunto. Hoje, há vacinas criadas para que sejam aplicadas na adolescência, como a que protege contra o HPV. É um conceito novo”.

Outra dificuldade está no fato de grande parte das vacinas próprias para os adolescentes não estarem disponíveis nos postos de saúde – caso do HPV, meningite, coqueluche (reforço), hepatite A e gripe. “A preocupação com o adolescente é que ele enfrenta riscos, não só pela idade, mas pelo comportamento. Ele se expõe mais socialmente, beija mais, tem uma atitude social que aumenta o contato com várias pessoas diferentes e fica mais suscetível”, afirmou Isabella Ballalai, presidente da regional Rio da SBIm. “A atitude aumenta o risco para doenças infecciosas. Isso ficou evidente com o H1N1, quando muitos jovens foram afetados na pandemia, e no surto de meningite, na Bahia, ocorrido recentemente”.

Clarissa Thomé