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Médico explica por que é importante vacinar as crianças contra a Covid-19

Espera-se que a imunização para este público comece até o final do ano no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a medida é eficaz e segura

Por Paula Felix 6 nov 2021, 14h47

O início da vacinação contra a Covid-19 de crianças de 5 a 11 anos com o imunizante da Pfizer nos Estados Unidos já traz expectativas para pais brasileiros, mas alguns ainda têm dúvidas sobre como o esquema vai funcionar para os pequenos.

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, deu a autorização para uso emergencial do imunizante para esta faixa etária no dia 29 de outubro e a vacinação teve início nesta semana. No Brasil, a Pfizer informou que o pedido para uso em crianças deve ser feito à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda neste mês.

Para liberar o imunizante, a agência norte-americana levou em consideração sua eficácia de 90,7% para a prevenção da doença neste público e a segurança da vacina, pois nenhum evento adverso grave foi detectado no estudo em andamento com cerca de 3.100 crianças.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) emitiu na última terça-feira, 2, um comunicado apoiando a imunização das crianças, destacando que o evento adverso mais comum foi dor no braço.

A dose administrada será menor do que a aplicada em jovens com mais de 12 anos, que recebem 30 microgramas. Para o público de 5 a 11 anos, é de 10 microgramas.

“É importante vacinar, esta é a primeira coisa a ser dita”, afirma Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria.”Não temos uma carga da doença desprezível. Os menores de 20 anos representaram 0,36% dos casos de mortes. Em um país com mais de 600 mil óbitos, são cerca de 2.300 mil mortes. É uma doença prevenível por vacina. Se somarmos todas as mortes preveníveis por imunizante, como sarampo, febre amarela e outras, a Covid-19 já mata mais do que todas as doenças. Isso sem falar na Covid longa, na síndrome multissistêmica inflamatória pediátrica e na transmissão (do vírus) na comunidade”, afirma Kfouri.

Ele reforça que, mesmo com uma dose menor, a vacina demonstrou eficácia contra a doença. “Com um terço da dose, ela é eficaz. A vacina foi testada com 21 dias de intervalo, mas intervalos podem ser ajustados.”

Uma das preocupações dos pais são os casos de miocardite, inflamação no músculo do coração, que foram associados a vacinas. Mas eles são raros. “A vacina é segura e a miocardite é um evento muito raro. São 50 casos para 1 milhão de doses, sem nenhuma morte. É benigno e algo que se resolve com anti-inflamatório comum. Outras vacinas, como da febre amarela e do sarampo, também têm efeitos colaterais. Mas o benefício é maior. A miocardite é mais frequente em pacientes com Covid-19 do que em quem tomou a vacina.”

Kfouri diz que é possível que as crianças de 5 a 11 anos recebam a vacina ainda neste ano no Brasil. “A FDA aprovou, então, é natural que o fabricante peça e a aprovação da Anvisa deve ser muito rápida. Mas ainda tem um terceiro passo, que é a inclusão no Programa Nacional de Imunizações.”

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