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Medicamento reduz em 25% risco de recorrência de câncer de mama

A descoberta é considerada um dos avanços mais notáveis no tratamento nas últimas duas décadas

Por Giulia Vidale Atualizado em 9 out 2020, 16h54 - Publicado em 9 out 2020, 16h52

Um estudo inédito mostrou que o uso do medicamento abemaciclibe em conjunto com a terapia hormonal diminuiu em 25% o risco de recorrência do câncer de mama HR+/HER2 em pacientes recém-operadas, em comparação com o tratamento padrão. Esse tipo de tumor corresponde a cerca de 70% de todos os casos da doença. Também houve redução de 28% no risco doença metastática. A descoberta é considerada um dos avanços mais notáveis no tratamento nas últimas duas décadas.

“É uma mudança de paradigma porque é a primeira vez na historia que vamos fazer uma combinação de medicamentos no pós cirúrgico. Os tratamentos para prevenção depois da cirurgia são os mesmo há muito tempo e, até agora, não mudamos a prática para pacientes de alto risco”, disse à VEJA o oncologista Gilberto Amorim, da Oncologia D’Or do Rio de Janeiro.

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De acordo com a ONG americana Living Beyond Breast Cancer, até 30% das pessoas com câncer de mama precoce HR+ podem ter uma recorrência. O estudo, apresentado no encontro anual da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (Esmo) e publicado no Journal of Clinical Oncology, foi realizado com 5.637 pacientes – homens e mulheres – com câncer de mama HR +, HER2- precoce de alto risco em mais de 38 países, incluindo o Brasil. Foram 297 participantes brasileiros, de 21 centros de estudo.

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Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu o medicamento em conjunto com a terapia hormonal e o segundo, apenas o tratamento endócrino, que é considerada a terapia padrão neste caso.

No início da análise, todos estavam recém-operados e aproximadamente 70% dos pacientes dos dois braços ainda estavam no período de tratamento de dois anos. Elas foram acompanhadas por cerca de 15,5 meses

Os resultados mostraram uma redução de 25% no risco de recorrência da doença e de 28% na probabilidade de metástase naquelas que receberam o tratamento combinado por um período de 14 meses, em comparação com a terapia padrão. Os efeitos adversos mais comuns são alterações no sangue e diarreia – problemas de fáceis de monitorar e tratar.

“O que é muito marcante e impressionante neste estudo é que em pouco tempo de acompanhamento você já enxerga a diferença em quem tomou o medicamento. Tudo o que pudermos fazer para reduzir o risco de recidiva, pode mudar a historia dela desse paciente porque se eu puder diminuir as chances de recidiva nos primeiros anos, provavelmente isso significa a cura destes pacientes”, afirma Amorim.

O remédio já é usado para o estágio metastático e agora, pode beneficiar também pessoas em estágio inicial para reduzir o risco de progressão da doença. Especialistas acreditam que o novo uso seja aprovado no ano que vem em alguns países. Maura Dickler, vice-presidente de desenvolvimento de fase tardia da Lilly Oncologia, farmacêutica produtora do medicamento, disse que “a Lilly enviará esses resultados aos órgãos reguladores em todo o mundo o mais rápido possível”.

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