OFERTA 10.10! Revista impressa com o MENOR PREÇO DO ANO! 🤑 Assine agora!

Mais forte que o Mounjaro? O desempenho da retatrutida em pessoas com diabetes

Em estudo, caneta de tripla ação reduz cerca de 20% do peso corporal e deixa 4 em cada 10 pacientes com glicose normal

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 set 2026, 06h00 | Atualizado em 1 out 2026, 11h27
Mais forte que o Mounjaro? O desempenho da retatrutida em pessoas com diabetes Priorize VEJA no Google

Quem convive com obesidade e diabetes tipo 2 conhece uma diferença silenciosa: os remédios antiobesidade funcionam, mas funcionam menos.

Nos grandes estudos com Ozempic, Wegovy e Mounjaro, pacientes com diabetes perdem menos peso do que pessoas sem a doença. É como se o corpo, depois de anos de glicose alta e resistência à insulina, se agarrasse com mais força a cada quilo.

Mas um estudo publicado na revista The Lancet e apresentado no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão, sugere que esse teto pode estar começando a ceder.

A protagonista é a retatrutida, molécula experimental da farmacêutica Eli Lilly. Ela é chamada de “agonista triplo” porque imita três hormônios de uma só vez.

Dois deles já são velhos conhecidos: o GLP-1, alvo da semaglutida, e o GIP, que a tirzepatida acrescentou ao jogo. Ambos reduzem o apetite e ajudam o pâncreas a controlar o açúcar no sangue. A novidade é o terceiro: o glucagon, hormônio que, entre outras funções, parece estimular o gasto de energia e a queima de gordura no fígado.

Continua após a publicidade

O ensaio da vez, chamado TRIUMPH-2, acompanhou por 80 semanas 1.152 adultos de oito países, incluindo o Brasil, com peso médio de 106 quilos, obesidade havia cerca de 21 anos e diabetes havia quase seis. Por sorteio, receberam uma injeção semanal de placebo ou de retatrutida (4, 9 ou 12 miligramas).

Estudos desse tipo costumam ter duas leituras. A primeira inclui todos os sorteados, mesmo quem abandonou o tratamento no meio do caminho. A segunda, chamada pelos pesquisadores de “estimativa de eficácia”, mostra o efeito em quem seguiu o tratamento como prescrito. É a resposta para a pergunta que interessa ao paciente: se eu usar direitinho, o que posso esperar?

Continua após a publicidade

Interessante que o objetivo primordial deste estudo não foi o controle da glicose, mas sim a redução do peso.

Nesse grupo de participantes, a perda média de peso foi de 12,7% com 4 mg, 19,1% com 9 mg e 20,8% com 12 mg, contra 4% no placebo. Na dose máxima, são cerca de 22 quilos a menos para uma pessoa de 106 quilos. Entre os participantes com maior grau de obesidade a queda chegou a 23,4%.

Continua após a publicidade

As metas de peso ajudam a dimensionar o efeito. Com 12 mg, 82% perderam ao menos 10% do peso (contra 16% no placebo), 67% passaram de 15% (contra 6%), 52% ultrapassaram 20% (contra 2%) e 35% perderam um quarto ou mais do peso inicial, contra 1% no placebo. É uma faixa que, até pouco tempo, só a cirurgia bariátrica alcançava.

Canetas emagrecedoras e o futuro da luta contra obesidade

Continua após a publicidade

O açúcar volta ao normal

A hemoglobina glicada, exame que reflete a média de açúcar no sangue dos últimos três meses, partiu de 7,7% e caiu 1,4 ponto com 4 mg, 1,6 com 9 mg e 1,5 com 12 mg, contra apenas 0,2 no placebo. Com a dose mais alta, 86% terminaram abaixo de 7%, a meta clássica do tratamento, e 79% chegaram a 6,5% ou menos (contra 36% e 26% no placebo).

O dado mais eloquente é outro: cerca de 40% dos pacientes nas doses de 9 e 12 mg alcançaram glicada abaixo de 5,7%, faixa de quem não tem diabetes. No placebo, foram 4%. Mas atenção: isso não significa cura, pois o valor depende do uso contínuo do remédio, mas mostra quanto a doença recuou.

Os demais números acompanharam. A medida da circunferência abdominal reduziu 17 centímetros, apressão sistólica, a “máxima”, recuou 11 mmHg, os triglicérides caíram quase 40% e o colesterol não-HDL, que reúne as frações que favorecem o entupimento das artérias, 20% (contra 4%). A proteína C reativa, marcador de inflamação, caiu mais da metade.

Continua após a publicidade

O preço da potência

Nenhum remédio é só benefício. Os efeitos colaterais mais comuns foram gastrointestinais: diarreia em cerca de um terço dos pacientes nas doses mais altas (contra 13% no placebo) e náusea em até 28% (contra 8%). Um efeito menos habitual chamou atenção: a disestesia, sensação de ardor ou desconforto na pele, relatada por até 7% dos pacientes, sem casos graves.
Houve três casos de pancreatite, todos entre os que recebiam retatrutida. E o abandono do tratamento por efeitos adversos chegou a 12% na dose intermediária, mais que o dobro do placebo.

O que ainda não sabemos

É preciso olhar o estudo com lupa. Ele comparou a retatrutida a placebo, não à tirzepatida ou à semaglutida; qualquer ranking entre elas, por ora, é por comparação indireta.

Para comparação indireta, a tirzepatida produziu 14,7% de perda de peso em estudo semelhante com pessoas com diabetes tipo 2. A própria retatrutida, em pessoas sem diabetes, alcançou 28,3% no estudo TRIUMPH-1 — o que confirma que a doença continua impondo resistência, ainda que menor.

Vale um destaque aqui: a retatrutida ainda não está aprovada em nenhum país, incluindo o Brasil. Qualquer frasco vendido hoje com esse nome pela internet ou em “clínicas” é produto sem registro na Anvisa, sem garantia de conteúdo ou pureza — e um risco real à saúde. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil nem em outros países do mundo.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

OFERTA 10.10

Digital Premium

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver, + programa de benefícios Prata.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 10,10/mês
ECONOMIZE R$ 325 - 45% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).